09 julho, 2009

Difícil é sentá-los

Afazeres de natureza profissional levaram-me esta tarde ao Parlamento. Ao bater das 3 o plenário até estava relativamente bem composto, mas com o avançar dos trabalhos a debandada foi-se generalizando em todas as bancadas, sem excepção. O entra e sai do hemiciclo é constante. O número de telefonemas feitos, para dentro e para fora da sala, é frenético. Seja do telefone fixo, seja do telemóvel pessoal. Paulo Portas ganharia, de certeza, o prémio de «o deputado sempre em pé». Aposto em como entrou e saiu mais de meia dúzia de vezes, deambulando vezes sem conta pelas mesas dos outros partidos para conversas amistosas com «colegas deputados», como foi o caso de Mota Amaral. Os assessores tagarelam aos ouvidos dos deputados as últimas. Fica-se com a nítida sensação que a esmagadora maioria dos que se sentam no lugar dos «eleitos» da nação está apenas a fazer figura de corpo presente. Ninguém ouve ninguém. O ruído é permanente - muito maior aliás do que no som que nos chega a casa pelo Canal Parlamento. O frete de escutar um deputado é igual se estiver em causa a bondade de criar um museu mineiro em São Pedro da Cova ou que os produtos sem glúten possam ser deduzidos como despesas de saúde no IRS. Abundam os deputados profissionais em bater palmas e os especialistas em dizer, com generosos vozeirões, «muito bem!». Os «experts» no Twitter começam a a massificar-se um pouco por todo o Parlamento. Difícil mesmo é sentá-los!!!
Dos 220 que por lá andam, seguramente que uma centena fazia uma melhor figura. Confesso que hesito entre se dá vontade de rir ou de chorar reparar nas bancadas e ver por lá, com lugar cativo, por exemplo, o radialista Ribeiro Cristóvão, o presidente da Liga de Clubes de Futebol, Hermínio Loureiro, o empresário de patentes, José Luis Arnaut, o fadista Nuno da Câmara Pereira ou o empresário e amigo pessoal da líder do PSD, António Preto, também conhecido por «o homem da mala». Talvez fosse interessante consultar a folha de serviços destes senhores nos quatro anos da legislatura que está quase a terminar.

A "tia" quer «isaltinar»

A «pedido de muitas famílias» e após muitas «negas», a "tia" Isabel Meirelles aceitou ser a candidata pelo PSD à Câmara de Oeiras. Se a Justiça portuguesa permanecer fiel a si própria, a especialista em assuntos europeus e o candidato do PS, Marcos Perestrelo, vão levar uma valente abada nas urnas. Mas a surpresa até pode acontecer se o juiz do caso Isaltino Morais der ouvidos aos argumentos do representante do Ministério Público. Na verdade, o procurador pede pena efectiva de cinco anos e inibição do exercício de cargos públicos para o actual autarca de Oeiras. Como não acredito em milagres, Oeiras deve continuar a «isaltinar» mais quatro anos. Diz quem lá mora que aquilo é mesmo um «concelho mais à frente». Como diz o povo, «ele rouba, mas nós até temos qualidade de vida».

08 julho, 2009

Sanfona parlamentar

Depois das cenas pouco edificantes protagonizadas por José Eduardo Martins e Manuel Pinho, regressa a postura de Estado à Casa da Democracia. Sónia Sanfona, 37 anos, o fenómeno em «ascensão meteórica», como o insuspeito «Expresso» lhe chamou no sábado, está a concitar todas as atenções. A relatora da comissão parlamentar sobre o caso BPN, operou o milagre ao concluir que Vítor Constâncio foi o último a saber - mais um «cornudo» -, das «roubalheiras» no banco do Loureiro, Oliveira e Costa e pandilha. Não satisfeita, ainda saiu a terreiro, indignada com o timing escolhido para a definição de directrizes do seu partido, que obrigam a que um candidato às autárquicas não seja incluído nas listas para deputados. Sanfona, a «sereia» do Rato como lhe chamou Nuno Melo, provavelmente seduzido pela expressiva beleza da deputada, já chegou a vice-presidente da bancada parlamentar socialista e pelo protagonismo dos últimos dias, promete não ficar por aqui. Há já quem sugira rimas com o seu pitoresco nome.

Os insondáveis desígnios das incompatibilidades I

A 26 de Julho de 2005, a Comissão de Ética da Assembleia da República considerou incompatível que a deputada Alda Macedo, do Bloco de Esquerda, exercesse as funções de deputada e as de professora do quadro de nomeação definitiva da Escola Secundária de Oliveira Martins...

Os insondáveis desígnios das incompatibilidades II

....A 24 de Julho de 2008, Jorge Neto, do PSD, pediu à Comissão de Ética «que se pronunciasse sobre a necessidade, ou não, de autorização da Assembleia da República ao abrigo do artº 21, nº2, do Estatuto dos Deputados, tendo em conta que foi “...demandado para exercer as funções de árbitro numa Comissão Arbitral em que são partes de um lado, o Clube de Futebol «Os Belenenses» e Pedro Cary e do outro a Federação Portuguesa de Futebol”.» A comissão foi de parecer “Que o Senhor Deputado Jorge Neto não carece de autorização da Assembleia da República para ser árbitro numa Comissão Arbitral”. Ao abrigo da lei, a comissão não encontrou problemas na ligação ao futebol, nem ao facto de exercer advocacia ou de ser professor na então ainda aberta Universidade Independente. Também não suscitou reparos o facto de ser presidente da mesa das assembleias gerais de nove empresas entre as quais a Estoril Sol e a Varzim Sol, e outras ligadas à industria farmacêutica, cablagens eléctricas, serviços financeiros e metalomecânica. Em 2004, Jorge Neto era ainda director administrador de três empresas com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. Detinha também, entre outras, 23 907 acções do BPP, 195 800 da Companhia Nacional de Borrachas e 131579 da Sociedade Polisite - Promoção Imobiliária S.A.

Sócrates mandado para a «estiva»

Se tivesse passado à porta do Parlamento, os estivadores tinham feito a folha ao Primeiro-Ministro, como aliás, se comprova nas imagens captadas em S. Bento. Fizeram rebentar petardos e proferiam «insultos muito graves», segundo a oficial Lusa, visando o bom nome de Sócrates. A mesma agência reproduz os impropérios, sem censura: «Sócrates, escuta, és um filho da puta» e «O Sócrates não cumpriu, vai para a puta que o pariu». Na base da «revolta na estiva» está a proposta de uma nova Lei dos Portos. Recorde-se que os estivadores já tinham ameaçado Miguel Sousa Tavares por este ter declarado o seu apoio incondicional ao alargamento do terminal de contentores de Alcântara.

A encenação que faltava

Paris Jackson, 11 anos, permaneceu toda a vida oculta, à semelhança dos seus irmãos, atrás de lenços que lhe tapavam o rosto por imposição do seu pai, Michael. Hoje, no epílogo da homenagem ao cantor, a menina, na sua primeira aparição pública, pegou no microne e, arroupada pela família Jackson, disse, entre lágrimas, que Michael «era o melhor pai que se podia imaginar». Agora se explica que o funeral tenha demorado quase 15 dias a realizar-se. Era este o testemunho/encenação que faltava. Cai por terra a imagem do pedófilo com um terrível génio para dançar e cantar. Mesmo depois de morto, o autor de «Thriller» vai continuar nos tops por muitos e bons anos e continuará também nas bocas do mundo. RIP.

07 julho, 2009

Adeus planetário

O que separa a SIC e a SIC-Notícias da Sky News, da CNN, da BBC, da Euronews e da France 24? Todos os canais estrangeiros transmitem, praticamente em silêncio à homenagem a Michael Jackson, em Los Angeles, enquanto o canal do dr. Balsemão tem três chatíssimos palradores que não deixam apreciar o espectáculo e introduz spots publicitários nos momentos mais inconvenientes. Thank God existe Tv Cabo!