19 outubro, 2011

Cangalheiro reabilitado

Grande dia amanhã na Faculdade de Economia do Porto. Para a cerimónia de abertura do ano lectivo foi convidado o «Excelentíssimo Senhor Professor Fernando Teixeira dos Santos» (não sei se o nome vos diz alguma coisa?!). Diz-se no convite que circula que o ex-ministro dará uma «lição de sapiência»(???). Desconhece-se a temática de tão magistral aula, mas seria bom que o «tio» Teixeira explicasse como se deu cabo do país nos 5 anos que esteve no governo. Um verdadeiro acto de reabilitação de um cangalheiro na reforma.

Há 6 anos a pregar no deserto

Ao discordar das medidas do governo, acusando-as de violar o princípio da equidade fiscal, Cavaco está, na essência, a demarcar-se de um dos pilares do Orçamento do Estado. É praticamente impossível que exerça o direito de veto, mas fica mais uma mácula no seu mandato presidencial. Já ninguém liga ao que a «Rainha de Inglaterra» que mora em Belém diz. Continue a pregar, professor. Já falta pouco para a reforma.

18 outubro, 2011

Transportadora Aérea de Pantanas

A TAP voltou a pregar-me uma partidinha. Depois da noite que passei em branco no aeroporto de Roma há um par de anos por um não comunicado cancelamento de um voo, ontem foi uma monumental seca de duas horas no regresso da ilha do «queijo suiço» (essa mesmo, a Madeira, claro está), até à capital do império. Primeiro foi o mau tempo no Porto que atrasou a viagem, depois a justificação era que o voo vinha de Zurique até à «pérola do Atlântico». Uma trapalhada. A TAP está claramente em serviços mínimos. No domingo pela manhã a máquina do café avariara no voo Lisboa-Funchal e o Compal de pêssego que acompanhava a tísica sande era versão mini, mini. Indiscritível. O regresso não foi melhor. Uma broa da Madeira, em versão «querida, encolhi a bolacha». Não é perseguição, confesso, mas nem as hospedeiras eram grande «espingarda». Haja saúde e gasolina para fazer levantar os «monstros» do ar. Já agora, privatize-se!

O beato das Neves

Valha em abono da coerência que o beato César das Neves defende vai para uma década, ainda a crise era uma coisa para meninos de coiro, que o Estado e o défice só se equilibrariam com o despedimento de funcionários públicos. Todos os políticos contornaram a ideia do professor da Católica. O gasparzinho foi o último ministro a evitar a «bomba atómica», preferindo abolir o 13.º e o 14.º mês. Bem humorado como sempre, César das Neves escreve ontem no DN: «Descer salários e pensões não é dieta, é vestir uma cinta. Subir impostos é usar roupas largas. A gordura fica na mesma». Tenho dito.

A frase do dia

«Há vida para além da austeridade», Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, TSF Online, 18 Outubro 2011

16 outubro, 2011

TV Crime

Aos críticos recorrentes do «Correio da Manhã», aconselho a verem mais os jornais televisivos. O noticiário das 22 horas na SIC-Notícias foi de fazer chorar as pedras da calçada. Crime na Pontinha, facadas no comboio em Corroios, polícia de choque irrompe em festa no Seixal e prisioneiro em Paços de Ferreira agride guarda prisional com caneta no olho. A violência e a delinquência estão aí, para quem quiser ver. Nos próximos tempos vai ser mais, muito mais do mesmo. Já aqui deixei a ideia e reitero. O melhor negócio da televisão no cabo seria criar uma TV Crime, com directos dos locais das ocorrências, conferências de imprensa da polícia e a análise de especialistas. Matéria prima não faltaria.

Vender positivo

O que fazer quando tudo arde? Pelos vistos para a administração do El Corte Inglés a receita é proibir os seus funcionários de pronunciar a palavra «crise» aos clientes e não dar troco no caso de o freguês puxar conversa. É o que chama vender positivo. Estes espanhóis são verdadeiramente uns génios do marketing.

O espírito de São Bento

Ontem eram milhares, hoje já só eram uma centena. O espírito de Madrid, gerado na Puerta Del Sol, chegou a Lisboa, numa versão algo mais frugal. As assembleias populares decorreram ao longo de todo o fim de semana às portas da «casa da democracia». Os indignados prometeram repetir a dose, massiva, no dia em que for discutido o draconiano Orçamento do Estado 2012. A polícia vai estar atenta para que as escadas do «olimpo» parlamentar não sejam ultrapassadas. Como se viu no sábado, basta um descontrolado para que tudo descambe. O ministro da Administração Interna que controle os desgraçados agentes. Pese embora o povo ser sereno, ninguém garante que o caldo não se entorne.