21 junho, 2010

Um trauma do carago

Definitivamente os coreanos, os do norte, não se dão bem com os portugueses. A nação tuga está eufórica, mas foi uma grande maldade que fizemos aos coreanos no primeiro jogo de futebol transmitido em directo naquele país. As imagens que a TV mostra e as fotos que as agências difundem são de desconsolo, com crianças num pranto, inconformadas com a goleada e esperançadas que dentro de quatro anos a selecção do querído líder regressará a um mundial. Já não há respeito pelos oprimidos!

Sofrimento e dor a olho nu

O DN consegue superar tudo o que é possível na arte da exposição do sofrimento e dor alheios. A foto, captada no velório de José Saramago e estampada na primeira do jornal do Marcelino, é um um momento de grande felicidade para o fotógrafo, mas não havia necessidade, como diria o «Diácono Remédios».

De bestas a bestiais


A selecção está a papel químico do país: da depressão à euforia. De bestas a bestiais. Os sete secos aos pobres coreanos é um balão de oxigénio. Até Cristiano, a estrela da companhia, fez o gosto ao pé, após um golo que foi um misto de felicidade e de arte. Depois de aberta a garrafa de ketchup, afinal já somos os maiores. No final da história acabo por ter pena dos asiáticos. Depois desta banhada vão, por certo, engrossar os campos de concentração liderados pelo seu «querido líder».

20 junho, 2010

Dupla «mão santa»

Já se sabia que Deus era brasileiro, segundo os próprios, mas esta noite ficou a saber-se que depois da mão do Deus argentino Maradona, há agora a dupla «mão santa» do brasileiro Luís Fabiano, no segundo golo do Brasil diante da Costa do Marfim. Sem recurso a câmeras o lance suscitou algumas dúvidas e foi o próprio árbitro que questionou o jogador do Sevilha sobre a eventual legalidade do lance. Risível.

Cada terra com o seu uso, cada roca com o seu fuso

A selecção francesa está a ferro e fogo, quase em permanente motim. Greve aos treinos, jogadores pegados com o treinador e até com o preparador físico, que hoje se juntou a Anelka na comitiva dos recambiados para França. O caso já chegou ao Eliseu e Sarkozy já exigiu à ministra do desporto que ponha ordem no galinheiro. Os portugueses são mais subtis. Por cá inventam-se lesões, como as de Nani e agora a de Deco, para esconder questões disciplinares. Pode ser que amanhã as coisas saiam melhor. Haja fé.

A frase do dia

«O que um chefe de Estado deve fazer é diferente daquilo que deve ser feito pelos amigos ou deve ser feito pelos conhecidos. Devo dizer que nunca tive o privilégio na minha vida, se me recordo, de alguma vez conhecer ou encontrar José Saramago», Cavaco Silva, comentando o diz ser a «polémica estéril» sobre a sua ausência no funeral do escritor falecido, TSF, 20 Junho 2010

19 junho, 2010

Dar bandeira

Informa a Lusa que a maior bandeira de Portugal, localizada no alto do Parque Eduardo VII, não se encontra a meia-haste, contrariando a deliberação de luto nacional por parte do Governo. Como a bandeira dá demasiado nas vistas devido à sua dimensão, só pode ter sido mesmo esquecimento. E dos grandes.

Panegírico a um Nobel

Os funerais dos nossos dias envolvendo figuras mediáticas estão a tornar-se autênticas festas, onde políticos, artistas e outros personagens socialmente relevantes se encontram, colocando-se em bicos de pés e fazendo de tudo para debitar umas palavritas para os sedentos microfones dos repórteres. Geralmente quase ninguém tece uma crítica ao defunto. De odiado, censor e irrascível, o morto é imediatamente «canonizado», mesmo num país laico, no que constitui um superlativo elogio fúnebre. Em Portugal os diabos quando morrem parece que ganham asas.