18 outubro, 2011

O beato das Neves

Valha em abono da coerência que o beato César das Neves defende vai para uma década, ainda a crise era uma coisa para meninos de coiro, que o Estado e o défice só se equilibrariam com o despedimento de funcionários públicos. Todos os políticos contornaram a ideia do professor da Católica. O gasparzinho foi o último ministro a evitar a «bomba atómica», preferindo abolir o 13.º e o 14.º mês. Bem humorado como sempre, César das Neves escreve ontem no DN: «Descer salários e pensões não é dieta, é vestir uma cinta. Subir impostos é usar roupas largas. A gordura fica na mesma». Tenho dito.

A frase do dia

«Há vida para além da austeridade», Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, TSF Online, 18 Outubro 2011

16 outubro, 2011

TV Crime

Aos críticos recorrentes do «Correio da Manhã», aconselho a verem mais os jornais televisivos. O noticiário das 22 horas na SIC-Notícias foi de fazer chorar as pedras da calçada. Crime na Pontinha, facadas no comboio em Corroios, polícia de choque irrompe em festa no Seixal e prisioneiro em Paços de Ferreira agride guarda prisional com caneta no olho. A violência e a delinquência estão aí, para quem quiser ver. Nos próximos tempos vai ser mais, muito mais do mesmo. Já aqui deixei a ideia e reitero. O melhor negócio da televisão no cabo seria criar uma TV Crime, com directos dos locais das ocorrências, conferências de imprensa da polícia e a análise de especialistas. Matéria prima não faltaria.

Vender positivo

O que fazer quando tudo arde? Pelos vistos para a administração do El Corte Inglés a receita é proibir os seus funcionários de pronunciar a palavra «crise» aos clientes e não dar troco no caso de o freguês puxar conversa. É o que chama vender positivo. Estes espanhóis são verdadeiramente uns génios do marketing.

O espírito de São Bento

Ontem eram milhares, hoje já só eram uma centena. O espírito de Madrid, gerado na Puerta Del Sol, chegou a Lisboa, numa versão algo mais frugal. As assembleias populares decorreram ao longo de todo o fim de semana às portas da «casa da democracia». Os indignados prometeram repetir a dose, massiva, no dia em que for discutido o draconiano Orçamento do Estado 2012. A polícia vai estar atenta para que as escadas do «olimpo» parlamentar não sejam ultrapassadas. Como se viu no sábado, basta um descontrolado para que tudo descambe. O ministro da Administração Interna que controle os desgraçados agentes. Pese embora o povo ser sereno, ninguém garante que o caldo não se entorne.

15 outubro, 2011

O melhor cartaz do dia

«Passos, eu trabalho. Vai roubar pró caralho», visto na TVI 24, na manifestação dos indignados, no Porto

Anarquistas versus indignados

Em Roma, os anarquistas, meticulosamente organizados e mobilizados, derrotaram os pacíficos indignados. De cara tapada ou de capacete para não serem identificados, centenas de membros dos «Black Block» semearam o terror pelas ruas da capital romana. Balanço: dezenas de feridos, incluindo polícias, montras partidas e carros incendiados. Felizmente os únicos anarquistas profissionais que existem na nossa terrinha são os nossos políticos. O povo é sereno.

Num cinema próximo de si