04 agosto, 2009

A melosa Zézinha

Quando oiço falar em Maria José Nogueira Pinto, lembro-me do que João Soares dizia, e presumo que continue a dizer, de Santana Lopes: tem mel. Quase que já colaborou e participou em iniciativas políticas de todos os partidos, PCP e BE excluídos. Basicamente quase todos consideram uma mais-valia contar com a sua presença num projecto político. Acontece que com tanto frenesim, a senhora acaba, muitas vezes, por entrar em contradição. Numa altura em que já declarou o seu apoio a António Costa na corrida à Câmara de Lisboa, aceita ser a segunda da lista do PSD, em Lisboa. Só não sei se quem a convidou, presume-se que Ferreira Leite, se lembrou que num hipótetico e não de todo improvável governo de coligação entre sociais-democratas e centristas como é que se vai operar a coabitação entre a Zézinha, titular pasta da saúde ou da educação, e o Rato Mickey...perdão, Paulo Portas.

O jogo da mala

Isaltino é o homem de quem se fala, mas não é, certamente, o único «bandido» à face da Terra. Diz o «Público Online» que Manuela Ferreira Leite insistiu com a distrital de Lisboa do PSD para incluir António Preto e Helena Lopes da Costa, deputados e arguidos em processos relacionados com crimezitos fiscais, falsificações e atribuição irregular de casas municipais (coisa de somenos), nas listas pela capital. Realmente é um mistério o «íman» que mantém sempre Preto, especialista em negócios nebulosos e também conhecido como «o homem da mala», colado à presidente do PSD. No fundo, Preto, cujos méritos se desconhecem, é o Dias Loureiro de Manuela. Tal como no anúncio da prevenção rodoviária, com ela, o Preto vai sempre atrás. Com companhias destas, um dia destes ainda rebenta uma «bomba» nas mãos da soturna senhora.

Os dois pesos e as duas medidas

Quando soube da sentença do tribunal no caso Isaltino, uma dúvida assaltou-me o espírito: os magistrados de Sintra, Gondomar, Marco de Canavezes e Felgueiras administram a justiça com base em provas e no Código Penal ou com base em pressões? De uma absolvição, sem mais, para uma condenação de sete anos de prisão efectiva vai uma grande diferença de juizos. Se a sentença transitar em julgado, Isaltino poderá considerar-se uma espécie de Vale e Azevedo do Poder Local. Escolhido para o sacrifício, para servir de exemplo.

03 agosto, 2009

Um autarca para o Guiness

A Justiça decidiu, mas o caso está longe de estar decidido por via dos necessários, mas morosos recursos. Isaltino Morais foi condenado a 7 anos de prisão efectiva e perda de mandato pela juiza de um tribunal de Sintra. O autarca de Oeiras já veio reiterar a sua inocência, considerando-se um «bode expiatório» da classe política e promete continuar com a sua recandidatura às eleições de Outubro. Caso consiga prosseguir e vencer as autárquicas de 11 de Outubro, Isaltino entrará, provavelmente, para o Guiness World Records Book, como o primeiro presidente de câmara eleito, sob o qual pende uma sentença do tribunal de prisão efectiva. Mais uma originalidade à portuguesa.

02 agosto, 2009

Um Rei com «cojones»

É a grande figura da política espanhola dos últimos 30 anos. Diz-se que sem o seu papel tutelar e respeitado por todos, a transição da ditadura para a democracia teria sido mais dificil, e que porventura o «saco de gatos» em que se converteu a complexa questão das «autonomias» e os traços identitários já teria «balcanizado» o país vizinho. Ontem, à chegada a Maiorca, onde vai cumprir o seu habitual período de férias em Agosto, Juan Carlos, questionado sobre o atentado naquela ilha das Baleares, ocorrido dois dias antes, disse simplesmente isto relativamente aos operacionais da ETA: «Hay que darles en la cabeça e combartirlos hasta acabar com ellos». Tão eloquente, que dispensa tradução. Uma postura assertiva, dura, sem «mas» ou reticências. Bem diferente da de Mário Soares que defendia negociações com a Al-Qaeda ou até do seu camarada Zapatero que andou em «flirt» com a ETA, até um dia em que os terroristas deram um passo atrás e detonaram uma bomba no novo terminal do aeroporto de Madrid.

A contagiante queda para a contabilidade

Começa a irritar a rigorosa contabilidade que rádios e televisões fazem nos casos de gripe A identificados. É grande a tentação para ir somando os casos e apresentar os valores acumulados de infectados desde que a doença entrou em Portugal. Como se sabe, esta gripe cura-se, em condições normais, em 3 ou 4 dias, por isso, é mais do que natural, que dos «320 casos» que a TSF zelosamente informa existirem no nosso país, apenas cerca de duas dezenas, os casos mais recentemente diagnosticados, é que exigem condições de excepção. Os outros, já deverão ter regressado à vidinha rotineira que caracteriza o comum dos mortais.

Zeca

No dia em que cumpriria 80 anos, caso fosse vivo, o DN publica uma oportuna entrevista, mas muito difícil, a avaliar pela tensão em algumas respostas e pelo que nos confirma o autor, João Céu e Silva, com a mulher do cantor, Zélia Afonso.

M&M's a pregar no deserto

Marques Mendes tem estado caladinho desde que abandonou a liderança do PSD. Na véspera de ser conhecida a sentença do seu ex-amigo e agora inimigo de estimação, Isaltino Morais, o ex-líder social-democrata presta declarações cirúrgicas à Lusa sobre o tema, sem o mencionar directamente: «Acho que um político - autarca, deputado ou governante - acusado, pronunciado ou condenado por crimes especialmente graves - como corrupção, peculato ou fraude fiscal, por exemplo - está fortemente diminuído na sua autoridade, na sua credibilidade e nas condições para o exercício de um cargo político, comprometendo, assim, o prestígio da política e a imagem das instituições», disse. Marques Mendes considera «uma vergonha» para a democracia e uma «atitude chocante» para o comum dos cidadãos que políticos acusados, pronunciados ou condenados judicialmente por crimes graves - como corrupção - «possam impunemente ser candidatos a eleições». Eu acho que Mendes tem razão. E Cravinho também, quando denuncia a corrupção. Só que pregadores no deserto e relatórios do diagnóstico da situação já temos de sobra.