04 março, 2009

A cultura do medo

Os directores do «DN» e do «JN» garantem que os seus títulos estarão amanhã, pela fresca, nas bancas, com o número de páginas habitual. Sinal de que a greve foi insignificante ou que o «batalhão» de estagiários contratados para o dia de hoje fartou-se de «picar» as notícias das agências. Inclino-me mais para a primeira hipótese. Em Itália, Espanha e França, quando há greve na imprensa, os jornais não saem no dia seguinte. Por cá, é o medo e a «claustrofobia democrática» (Direitos reservados para Paulo Rangel) em todo o seu esplendor.

Campanhas à moda do Minho

Tal como o Natal, as campanhas são quando o homem quiser e denominam-se da forma como os homens as baptizarem. As campanhas na zona de Lisboa, visando o Primeiro-Ministro, chamam-se «negras». Já no Minho, as campanhas que estão a fazer contra o executivo do «dinossauro» Mesquita Machado por, alegadamente, o autarca ter desviado uns milhõezitos, são apelidadas, pelo próprio, de campanhas da «aldrabice». Está bom de ver que os argumentos são os mesmos, só o nome e a região é que mudam.

A frase do dia

«Uma família média portuguesa deve hoje à banca cerca de 16 mil salários», Daniel Bessa, economista, Correio da Manhã, 4 Março 2009

Dêem-me pancada que eu gosto....

Não costumo recomendar outros blogs, mas vou abrir uma excepção, porque este merece mesmo. Chama-se «Eu, Cláudio» e é da autoria de Cláudio Ramos. Sim, esse mesmo, o irritante tertuliano das manhãs da SIC. O motivo da chamada não é propriamente o conteúdo dos posts do ex-«BB», mas sim o rodízio de adjectivos com que Cláudio é brindado na caixa de comentários. Os que o veneram, mandam beijinhos e outras coisas mais íntimas, os que o amam e adorariam passar-lhe por cima com um rolo compressor, apelidam-no, sob anonimato, de «saloio», «rabeta» e outras referências do mais fino recorte. Até mete dó, mesmo para quem até não vai muito à bola com Cláudio Ramos. O que vale é que o moço até responde com um certo fair-play.

Uma redacção ou um lounge?


Num momento de crise, há projectos de comunicação social com laivos de «novo-riquismo», com arquitectura de autor, 16 ecrãs e um espaço lounge para descomprimir. Não se confirma que exista um ginásio, um Spa e uma creche para os funcionários. São as maravilhas de um jornal suportado financeiramente por um grupo de construção civil. Leia o take da Lusa para perceber melhor..

«O novo jornal "i" instala-se segunda-feira numa "democrática" redacção de 1.300 metros quadrados, divididos em dois pisos, com uma parede e colunas que mudam de cor para marcar ritmos de trabalho, disse à Lusa o director do título.
O "layout" da redacção, situada num edifício do Tagus Park, em Oeiras, foi desenhada por Luís Calau, arquitecto português sedeado há vários anos em Barcelona e responsável pelos escritórios do jornal inglês Daily Telegraph. "Não há nada sequer parecido com isto na Península Ibérica", afirma Martim Avillez Figueiredo.
No rés-do-chão, onde estarão montadas as secretárias e uma sala de reuniões, serão instalados 16 ecrãs de televisão, para que "não escape uma história" à equipa que prepara diariamente o jornal. Nesse mesmo espaço, sem divisórias, estarão dispostas as mesas dos redactores, editores e directores do jornal, para que a informação flua facilmente entre todos.
No piso térreo haverá também um estúdio de gravação e imagem.Numa das paredes será colocado um painel que muda de cor ao longo do dia, assinalando os vários períodos de fecho do jornal e as necessidades de actualização do site, função partilhada por uma série de colunas colocadas a todo o comprimento da sala. O andar de cima, um espaço "lounge", servirá para "descomprimir do ritmo do andar de baixo".»

03 março, 2009

A greve que vai parir um rato

É já amanhã, dia 4, que (alguns) trabalhadores dos jornais da Controlinveste vão fazer greve, como forma de protesto pelo despedimento de mais de 100 colaboradores. À última hora, o «24 horas» também se vai juntar à mobilização contra a política laboral do grupo de Joaquim Oliveira. Os trabalhadores começaram a receber nas suas casas cartas de despedimento na semana passada. Segundo notícias recentes, no DN de Lisboa alguns trabalhadores vão interpor uma providência cautelar contra o despedimento colectivo, assim como houve quem recorresse a advogados particulares.
Não será, certamente preciso, na medida em que a paralisação não deverá atingir as melhores expectativas dos sindicatos, mas era curioso que perante a adesão massiva dos trabalhadores, os senhores administradores fossem obrigados a recrutar mão de obra escrava a custo zero para colocar na rua a edição da próxima quinta-feira. O produto final não seria dos mais recomendáveis, mas como o objectivo já é mesmo «encher chouriços»....
A este propósito, na questão colocada aos leitores: «A vaga de despedimentos fragiliza os jornais perante o poder político?», registou-se a maior votação de sempre desde que inagurámos este modelo - 34. Uma esmagadora maioria de votantes (85 por cento) acha que sim, 38 por cento entende que «não» e apena 5 por cento defende que «os jornais perderam a influência» de outrora, nomeadamente para a televisão.

A Zapatero le gusta follar


Depois de ver este video, perceberá melhor o motivo porque o nosso «primeiro» só fala devidamente treinado ou com o recurso a «teleponto». A margem para falhar e até para cometer um desagradável deslize, torna-se residual. O primeiro-ministro espanhol teve hoje uma gaffe, no mínimo embaraçosa. Quando se referia ao incremento de turistas espanhóis na Rússia, Zapatero afirmou que o objectivo do seu governo era «estimular, favorecer e....(devia ser apoiar o turismo, mas fugiu-lhe a língua para a palavra «follar», que significar "fornicar" na língua de Camões ou "to fuck" na língua de Shakespeare) o turismo. Há dias de azar e em que um político fica «follado».

Importa-se de repetir?

Afinal o jornal do Lena não vai chamar-se «Novo Diário», mas sim «i». Ainda não se percebeu bem se com letra pequena ou grande. Se os marketeiros do novo periódico dirigido por Avilez Figueiredo queriam surpreender, conseguiram. Temo é que não tenha sido das criações mais felizes.