23 maio, 2009

Gracias, compañero Sócrates

No comício conjunto que fez com Zapatero em Valência, como pontapé de saída para as europeias, Sócrates deu ares de poliglota. Depois do célebre «como estás, compañero?», o nosso «primeiro» deu esta magistral lição em «espanhol», segundo o próprio. Um must, a não perder, no som da TSF. Pena que no telejornal da TVE, da hora do almoço, a participação do primeiro-ministro na acção de campanha se tenha resumido a 5 segundos de imagens. De resto, nem uma palavra.

22 maio, 2009

O «bufo» neutralizou o «rottweiller»


A «artilharia» pesada contra Sócrates foi mais fraca do que em outras ocasiões, mas nem por isso o Jornal das TVI das sextas-feiras deve ter tido menos audiência. Bem pelo contrário. A entrevista/peixeirada de «Maria Manuela» (sic) Moura Guedes a Marinho e Pinto foi um verdadeiro happening televisivo. Só faltou chegar à chapada. Fiel ao seu estilo, sem perguntas estruturadas e num registo atabalhoado, a entrevistadora apelidou o bastonário da Ordem dos Advogados de «bufo» e insinuou que o advogado estava com a defesa do Primeiro-Ministro no Caso «Freeport» a fazer um «frete» a José Sócrates. A Marinho saltou-lhe a tampa. O homem passou-se dos carretos e neutralizou o «rottweiller» da televisão portuguesa. Manuela ouviu o que muitos portugueses desejariam dizer-lhe na cara e não podem: «você não tem autoridade nenhuma para emitir juízos de valor acerca do que se passa na justiça» e «viola sistemáticamente o código deontológico dos jornalistas», foram alguns dos contra-ataques desferidos pelo bastonário. E continuou: «se você me quiser fazer uma entrevista decente eu estarei disponível, mas esta estação devia ter aqui uma jornalista decente e não alguém que deturpa constantemente as regras do jornalismo». Marinho igual a si próprio: excessivo, mas com razão na maior parte dos argumentos. Este telejornal das sextas é um case-study mundial.
Se já tinha poucos amigos, o advogado de Coimbra acaba de arranjar mais um inimigo, neste caso a TVI e a jornalista Moura Guedes. Não admiraria que a oposição interna ao bastonário unisse forças com o canal televisivo para uma campanha mediática com vista à sua rápida destituição da Ordem dos Advogados. Depois da monumental «esfrega» que levou esta noite, o «animal» ferido promete vingança.
VIDEO - You Tube (Entrevista Manuela Moura Guedes / Marinho Pinto)

Alguém «malhou», mas não se sabe quem

O tribunal de Faro concluiu o que já se suspeitava. A polícia em Portugal tortura para forçar a obtenção de depoimentos. Não se provou é quem, em concreto, deixou Leonor Cipriano no estado em que as imagens publicadas à altura dos factos mostraram. Mas lá que «malharam», «malharam». Gonçalo Amaral, o «herói» português do caso Maddie, foi condenado a ano e meio de prisão, com pena suspensa no caso das agressões à mãe de Joana, por falso depoimento. Agora que o julgamento terminou, há que lembrar a atitude da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, que «chumbou» a escolha do nome de Gonçalo Amaral, proposto pela concelhia de Olhão, para esta câmara algarvia. Se o ex-inspector estivesse já em campanha, o embaraço teria sido grande. Já Paulo Pereira Cristóvão, outro dos inspectores da Judiciária que se sentou no banco dos réus, foi absolvido e pode, assim, continuar na corrida para a presidência do Sporting.

Eu odeio comícios!

Manuela Ferreira Leite confessou perante uma plateia de militantes do PSD e de jornalistas que não tem jeito para comícios e que evita os eventos de massas como o Diabo foge da cruz. Não disse nenhuma novidade, mas duvido que os portugueses estejam preparados para eleger para líder do governo uma pessoa que odeia vender «banha da cobra» e participar no roteiro dos jantares da carne assada. É a vida!

21 maio, 2009

Recompensar os amigos pelos bons serviços prestados

Moral e vergonha são palavras que geralmente estão excluídas do léxico de políticos e gestores profissionais. Silva Lopes e Vítor Bento, apenas para citar dois exemplos, advertiram que a actual situação de crise aconselharia a uma descida de salários. Belmiro de Azevedo vai fazer o mesmo com os colaboradores do seu, cada vez mais deficitário, «Público». Diz o engenheiro, que «mais vale estar activo e ganhar menos», do que estar no desemprego. Nos jornais surge hoje a notícia que Vítor Constâncio e a sua equipa de administradores vão ser aumentados em cerca de 5 por cento, aumento esse extensível ao presidente da Autoridade da Concorrência, Manuel Sebastião, grande amigo do ministro Pinho e Amado da Silva, presidente da Autoridade da Concorrência, que tranquilizou a irrequieta e incómoda entidade reguladora para o governo no tempo de Abel Mateus. Só para o governador do Banco de Portugal, o pequeno incentivo salarial representa mais 900 euros por mês. Não é para quem quer, é para quem pode...
PS: Já a noite ia longa, soube-se que o Banco de Portugal decidiu congelar o salário dos administradores, que não vão receber o aumento correspondente a este ano, nem tão pouco o relativo a 2008. Os avanços e os recuos desta gente são feitos ao sabor das notícias. Ainda por cima em ano eleitoral não dá jeito nenhum chocar a opinião pública.

A frase do dia

«Não vai haver emprego em Portugal durante bastante tempo. Os portugueses têm uma capacidade de sofrimento enorme e isso é um activo que temos que mobilizar e organizar», Daniel Bessa, ex-ministro da Economia, Negócios Online, 21 Maio 2009

Ladrão solitário

Oliveira e Costa, detido há 6 meses, vai passar, pelo menos, outros tantos meses na cadeia, confirmou o juiz titular do processo, o implacável Carlos Alexandre. Num banco, o BPN, onde se roubou tanto, custa a crer que o ex-secretário de Estado de Cavaco tenha sido o único ladrão a «limpar» tudo sozinho.

Contar segredos a quem não os sabe guardar

Informa o «DN» que os «Deputados vão ter acesso a segredos do Estado», explicando que o presidente da Assembleia da República e líderes parlamentares e das comissões podem requerer acesso a documentos classificados, ficando obrigados a sigilo sobre os mesmos. Se os senhores parlamentares mantiveram a habitual forma ciosa como guardam segredos, em troca de tratamentos privilegiados nos «media» (leia-se contrapartidas), então adivinham-se tempos de farta produção noticiosa para jornais e televisões.