07 maio, 2009

Um jornal que «I»rradia charme

Saiu hoje mais um título novo para as bancas. Chama-se «I» e também é conhecido por ser o jornal da construtora Lena. O site é arrojado, mas o passar de olhos que fizemos pela edição impressa não foi de molde a causar sensação. Mais do mesmo. Voltando ao produto online, saliente-se a notícia que José Sócrates é um dos clientes da mais exclusiva (e cara) loja de Beverly Hills, «onde só entra um cliente de cada vez, com hora marcada e todo o staff de empregados à sua disposição.» A primeira operação de charme, dizemos nós.

O dress code da Igreja


Por falar em Vaticano, é este o placard que surge à entrada da esmagadora Basílica de São Pedro, na praça com o mesmo nome. Trajes menores, aqui não. Cirurgicamente escrito em inglês com o intuito de visar a montanha de turistas que aguardam desde manhã cedo até ao fim da tarde, em ordeiras filas, para aceder a este templo cristão. Em outros locais de culto da capital italiana é possível vislumbrar a mesma sinalética, representadas em imagens ligeiramente distintas, como é o caso de uma das igrejas na central Via del Corso.

Demónios à solta no Vaticano

Ainda a dolce vita italiana. Os cartazes do filme «Anjos e Demónios», com Tom Hanks a protagonizar e Ron Howard a realizar, estão espalhados por toda a cidade. A ante-estreia mundial aconteceu no Auditorium Parco della Musica, na cidade eterna, na passada segunda-feira. O filme baseado no livro de Dan Brown está a criar grande irritação no Vaticano e promete trazer ainda mais turistas à capital romana, visto que a rodagem foi, em boa parte, feita nas principais praças de Roma. As cenas no Vaticano, cuja acção decorre durante um conclave na Santa Sé, foram feitas com base em 250 mil fotos captadas por turistas. A não perder, a partir de 14 de Maio, nos cinemas portugueses.

06 maio, 2009

Esforço olímpico

É neste magnífico estádio Olímpico de Roma que Manchester United e Barcelona vão decidir, a 27 de Maio, quem leva para casa a cobiçada taça da Champions League. A acústica da infraestrutura, partilhada pela AS Roma e pelo Lazio, pertença do Comité Olímpico Italiano, é de uma qualidade invulgar, o pior é mesmo para um estrangeiro tentar aceder a um jogo do calcio quase em cima da hora. Os bilhetes encontram-se disponíveis numa bilheteira improvisada, a 2,5 kms do estádio, e sem acesso por metropolitano. As filas são enormes e ao fã não resta outro remédio do que pagar uma «corrida» entre 7 a 10 euros à volumosa frota de táxis que se aproxima dos compradores de última hora para cumprir em 5 minutos o que, de outro modo, se faria a pé em mais de meia hora. Quem quer, desembolsa, quem não quer, arrisca-se a chegar ao Olímpico ao intervalo. Em Itália, tudo serve para fazer negócio e para driblar os incautos turistas. Não os critico, mas para quem critica tanto a comunidade cigana por ter invadido as cidades italianas, apetece citar o Frei Tomás...

As lições do «índio» Waldo

Waldo é um italiano com raízes brasileiras. O acento com muito açucar assim o denuncia. Exerce a profissão de guia turístico, mas pelos vistos, enganou-se na vocação. Na viagem para a bela cidade de Assis, na província da Umbria, a 180 kms da capital, não parou de denegrir «os portugueses», aproveitando o ensejo para contar algumas anedotas que correm em Itália, pouco ou nada abonatórias para todos nós. Como «il portoghesi» têm fama de aldrabões por terras transalpinas, o guia, assim que o autocarro da excursão se aproximou de uma portagem, fez questão de realçar que os portugueses não pagavam portagens. Depois, explicou ao pormenor o que era o taxímetro de um táxi, não fosse a invenção ainda não ter chegado a terras lusas. Uma tremenda desfaçatez que deixou a comitiva de sorriso amarelo. Como o passar da jornada, o «índio», como foi apelidado por alguns dos participantes, moderou as observações negativas e a sua pesporrência, à espera do seu «dízimo» que, pelo menos da minha parte, nunca chegou. Menos moral e mais competência, é o único conselho que temos para oferecer ao homem do chapéu vermelho.

«Documenti!»

Nos 34 anos que levo de vida, que me lembre, nunca nenhum agente da autoridade me abordou nas ruas do meu país para pedir-me a identificação. Nos 10 dias que estive em Itália, dois agentes dos carabinieri abordaram-se para pedir, de modo imperativo, «documenti». Sorte ou o azar o meu, pensei. A primeira situação aconteceu numa avenida do centro de Roma após ter atravessado um semáforo e a outra em pleno aeroporto de Fiumicino, já a madrugada ia alta. Os tipos viraram e reviraram o nosso característico B.I. (provavelmente em busca de alguma associação à Al Qaeda) e só descansaram quando dissemos a palavra mágica: «Portogallo».

Comédia italiana

Regressado a Portugal após um período de férias, confirmo o que já suspeitava. Nada mudou. Até o buraco do Costa na Avenida de Berna está no mesmo sítio. Só os insultos ao camarada Vital no 1.º de Maio agitaram uma pátria, subitamente assolada por um calor estival. No país onde estive, a Itália, é que as coisas estão animadíssimas. O casamento de fachada do «premier», Berlusconi, acabou nas páginas dos jornais, por iniciativa da própria Verónica Lários. A rica senhora cheia de«pasta», garantem as gazetas transalpinas, não gostou que o marido tenha andado a namorar (politicamente e literalmente, dizem as más línguas) ex-misses e actrizes para integrar a lista às europeias do seu partido. Uma verdadeira comédia italiana. Por cá anuncia-se que o nosso «premier» vai dar o nó com a Câncio, que para já promove o seu mais que tudo nas páginas dos periódicos, ainda este ano. Em ambos os casos, o grau abaixo de zero da política.

26 abril, 2009

O bicho é manso, diz ele

O «animal feroz» voltou a fazer das suas. Desta feita, à saída da dura sessão de perguntas, cirurgicamente seleccionadas pelo aparelho do Largo do Rato. A jornalista do «Público» estava lá e descreveu o delicioso diálogo:
«(...) José Sócrates saíra da sala da “entrevista”, sorridente, com ar de quem passou com distinção na prova oral, e perguntou “Não foi mal, pois não?”, dobrando as folhas brancas com notas usadas nas respostas. E estava ali, a “dar sopa”, para os poucos jornalistas presentes. Uma jornalista pergunta se se pode aproximar e fazer uma pergunta. “Claro, eu não mordo”, responde Sócrates sorridente.“Não morde mas rosna. E às vezes rosna muito”, replica-lhe ela em voz alta. O primeiro-ministro fica atrapalhado, responde que não é bem assim, ainda a rir, sem saber muito bem o que fazer, mas ela insiste com o “rosnar”. Talvez pelo efeito surpresa, Sócrates nem se zangou, mas o caso cerrou alguns sobrolhos».
Fonte: Público, 26 Abril 2009