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A propósito dos 50 anos que cumpre esta segunda-feira, Pedro Abrunhosa deu uma violentíssima entrevista ao «NS», a revista de sábado do DN e do JN. Como principais highlights para quem não leu, destacar que o cantor acha que Passos Coelho «é lenha para queimar» e antevê que Rui Rio «vai ser o próximo Salazar». O autor de «Tudo o que eu te dou» descreveu o cenário que imagina vá acontecer: «O perigo desta falência dos valores democráticos perante os olhos do povo português que, generosamente e abnegadamente, trabalha e paga impostos, é o aparecimento de um demagogo, dentro do sistema partidário, provavelmente à direita, com um discurso barato, fácil, securitário, neofascizante, contabilístico e sedutor para o povo que continua trabalhador e ignorante». Vendo bem as fotos, Rio e Salazar até têm, assim de repente, algumas semelhanças fisionómicas.
Ex-ministro da Educação e actual assessor de Cavaco para os assuntos sociais, David Justino lançou recentemente um ensaio chamado «Difícil é educá-los», com a chancela da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Em entrevista ao Ensino Magazine, o antigo governante contesta os «treinadores de bancada» que falam sobre tudo e sobre nada e lamenta que se discuta a educação como se discute o futebol. Justino entende que não há visão de futuro para o sector e que existem problemas que se arrastam há um século, desde os artigos de Oliveira Martins. Entrevista
João César das Neves é conhecido por ser economista, professor universitário e católico fundamentalista. Eterno conselheiro de Cavaco durante o seu consulado em S. Bento, César das Neves recusou agora apoiar a recandidatura do Presidente da República a um novo mandato por discordar da promulgação que o inquilino de Belém deu ao diploma sobre a legalização dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, que considera ser das piores leis da história de Portugal contra a família. Goste-se ou não, de falta de coerência é que não pode ser acusado.
Vai uma grande sangria pelo grupo parlamentar socialista. Por incompatibilidade com o líder Assis, agora inebriado pelos que lhe dizem que pode chegar à cadeira do poder do Rato, ou por mero interesse e timing pessoal, alguns deputados vão abandonado o seu assento parlamentar. Miguel Vale de Almeida é um dos tais que sai por ter conseguido o seu objectivo: a legalização do casamento homossexual. Com a prova superada , regressa ao seu habitat natural. Com atitudes destas, não exijam que o povo tenha respeito pelos senhores deputados da nação.
No dia de todas as homenagens a Carlos Pinto Coelho, a RTP divulgou no seu site um excerto de uma pequena entrevista do jornalista a um programa na RTP-N, na passada quarta-feira, na véspera da sua morte. Pinto Coelho, no seu estilo inconfundível, equipara o jornalista a um chefe de cozinha, caracterizando os «pratos servidos nos telejornais» como sendo «enfadonhamente pobrezinhos». E elenca-os: o «bacalhau à bráz» é a política, o «franguinho do churrasco», a economia, a crise e o desemprego e, finalmente, o «bitoquezinho» é o futebol e as suas tricas diárias. Literalmente uma análise deliciosa. Numa parte do vídeo que não está disponível, Pinto Coelho questiona os pivôts da RTP-N se noticiaram a morte do cantor espanhol, Enrique Morente, falecido no dia anterior. Embaraçados, a Estela e o Jorge, os ditos pivôts, disseram que não. Imperdoável, disse Pinto Coelho. No dia seguinte a notícia que foi dada foi precisamente a da sua morte. Arrepiante. VIDEO
A charada do dia é a filtração de um assessor diplomático de Sócrates, um tal Jorge Roza Oliveira, que comparou Ana Gomes a um «Rotweiller à solta». Para se enterrar ainda mais o tal Roza Oliveira acrescentou que fez a comparação porque tinha um cão desta espécie e exemplificou que enquanto o seu animal pegava e largava em algo, a eurodeputada não havia forma de deslargar um assunto mais embaraçoso para o poder.
A propósito dos telegramas que o Wikileaks tem largado, quais bombas atómicas, ao ritmo de conta-gotas, Cavaco Silva afirmou que os embaixadores são muito criativos, mas o seu assessor diplomático durante uma década, o ex-MNE Martins da Cruz afirma hoje ao «I», de forma categórica, que «não vale a pena negar. O que lá está aconteceu mesmo». Perante isto, o senhor Presidente devia estar era caladinho. Falar menos era capaz de ser uma boa opção, não?
Um articulista do «El País» diz hoje uma grande verdade: Julian Assange ganhou o prémio da «Time», mas para «persona»...non grata do ano. Pelo menos para os americanos comprometidos com a Casa Branca. O povo elegeu-o democraticamente. Publicamos a capa que nunca o chegou a ser.