24 novembro, 2009

Mais trabalho, menos socialização em rede

O director de informação da RTP está atento às redes sociais na sua redacção. Em entrevista ao «JN», José Alberto Carvalho refere que publicou há dias um conjunto de recomendações de «bom senso», que os «seus» jornalistas devem observar quando estão no Facebook, no Twitter ou em blogs pessoais. Mandamento um: «nunca publicar nada numa rede social que ele não possa colocar na antena da RTP». Mandamento dois: «Não é muito recomendável que um jornalista da RTP que esteja a fazer a cobertura de uma história manifeste opiniões tendenciosas no seu blog». O pivô do «Telejornal» assegura que as suas regras foram «bem recebidas» e lembra que nos Estados Unidos, já foi despedido um jornalista por causa de dois posts do Twitter.
Não sei porquê mas esta observação cheira a aviso à navegação da rapaziada da redacção da Marechal Gomes da Costa. As «twittadas» anti-executivo devem ter incomodado a central de informação informal dos ministros Silva Pereira e Santos Silva.

Investigações e alucinações

Figueiredo Dias, o «pai» do Código Penal, concede hoje uma interessante entrevista ao «Público», em que defende a tese que se a informação proveniente de um processo em segredo de justiça resultar de investigação jornalística, então não deve ser considerada violação do segredo de justiça. O eminente professor de Coimbra esquece-se é que o jornalismo de investigação já acabou, se é que alguma vez existiu por estas bandas. Agora aparece tudo nas secretárias das redacções, pela mão de funcionários judiciais, juizes ou magistrados do Ministério Público, a troco de umas massas para as férias. Basicamente a culpa pela violação do segredo judicial é de todos. É um pouco como o caso que Hercule Poirot teve para desvendar no «Crime do Expresso do Oriente». Todos eram suspeitos. Como todos detestavam a vítima, descobriu-se que todos os passageiros tiveram, directa ou indirectamente, «culpas no cartório».

Venha de lá esse abraço!

Jorge Jesus e Pinto da Costa encontraram-se numa cerimónia pública e trocaram o caloroso abraço que a primeira página de «O Jogo» documenta. Por mim nada a obstar, mas sabendo-se como os fundamentalistas futeboleiros reagem, não se admirem que este gesto acabe por sair caro ao treinador do Benfica.

23 novembro, 2009

Lições britânicas

O campeonato inglês de futebol é diferente por todos os motivos e, já agora, junto mais um: a vergonha. Os jogadores do Wigan Athletic vão custear dos respectivos bolsos a devolução do dinheiro aos seus adeptos que se deslocaram até Londres para assistir à estrondosa goleada (9-1) que a sua equipa sofreu do Totenham - a segunda mais expressiva de sempre da Premier League.
Se por cá os clubes tivessem de ressarcir as suas massas associativas pelas paupérrimas exibições e piores resultados, o melhor era decretar jogos à porta fechada. Por muito que se tivessem divertido ontem à noite, os adeptos de Alvalade seriam, por certo, os que mais jogos teriam visto à borla, tal tem sido a pobreza franciscana.

Um «dirty job» em troca de um «tacho»

Em 2005 foi Campos e Cunha que se chegou à frente ao admitir que se teria de aumentar impostos para fazer face ao défice. Uns meses depois bateu com a porta, sem estomago para ingerir o «prato» que lhe colocaram à frente para a legislatura.
Mais de quatro anos depois, foi a vez do governador do Banco de Portugal servir de voz do dono, afirmando que «aumento de impostos, não em 2010, mas até 2013». O descontrolo das contas públicas assim o obriga e nada melhor do que mandar um tipo com muitas responsabilidades e que devia estar acima dos partidos para fazer o chamado «dirty job». Constâncio é mais um caso gritante de incompetência, sempre a farejar lugares de primeira água, intramuros e fora deles. Se se confirma uma notícia veiculada há uns meses, que o governo socialista iria arranjar um poleiro dourado para Constâncio no Banco Central Europeu, trocando este de cadeira com Teixeira dos Santos, então a jogada compreende-se na perfeição. Preparem-se pois para apertar mais uns furos do cinto. Se ainda os tiverem.

Revelações de Lobo Antunes, o neurocirurgião

João Lobo Antunes está na selecta lista dos portugueses excelentíssimos. Neurocirurgião de primeira linha, com uma média de 400 operações por ano, o médico do Hospital de Santa Maria debruça-se, em entrevista ao «Ensino Magazine» de Novembro, sobre as questões éticas e filosóficas que mais o inquietam no exercício da sua profissão. Sobre matérias educativas, Lobo Antunes critica a desvalorização da memória promovida pela pedagogia moderna, o gradual desaparecimento da Filosofia dos programas escolares e a tentativa de aniquilar o livro. O médico encontra-se actualmente a preparar uma biografia sobre Egas Moniz, prémio Nobel e uma das suas referências, que deverá estar concluída em 2010. Sobre os políticos, o mandatário de Cavaco e Sampaio, admite que «haja políticos incompetentes», mas revela, de forma desarmante, possuir «uma enorme tolerância para com as fraquezas da natureza humana».
As dúvidas e as perplexidades de Lobo Antunes podem ser lidas na integra,
aqui.

22 novembro, 2009

«Tragédia» futebolística anula escutas

Perante uma «tragédia» futebolística desta dimensão não há qualquer margem para discutir o arquivamento das escutas de Sócrates. Sempre que o Benfica perde é assim. Este ano, como perde menos, a intensidade dos festejos dos anti-lampiões será ainda maior. Os SMS já começam a circular, com referências a uma alegada azia. Adivinha-se uma semana quente, ainda para mais antes do derby de sábado em Alvalade, cheia de chistes, anedotas e e-mails alusivos à derrota caseira com o Guimarães para a Taça.

Uma Justiça que é um lixo

Lisboa, 22 Nov (Lusa) - Documentos de processos judiciais, com a identificação e os contactos dos intervenientes, foram deitados nos caixotes do lixo do Palácio da Justiça de Lisboa, na via pública, um acto ilegal que viola a confidencialidade e as normas dos tribunais.
Escrituras com nomes, moradas e telefones, relações de heranças, notificações para audiência e peritagens de seguradoras com identificação das viaturas são exemplos de documentos encontrados pela agência Lusa em diversos contentores com a tampa aberta, à mão de quem passa na rua e colocados nas traseiras do Palácio da Justiça, em Lisboa.
Em apenas três sacos, das dezenas distribuídas pelos nove contentores ali instalados, a Lusa identificou várias peças processuais, incluindo uma disquete contendo uma acção judicial completa.