07 setembro, 2009

«Fuck them»

O Conselheiro de Estado, Alberto João Jardim, saiu-se hoje com mais uma tirada de fino recorte quando confrontado com as acusações que Ferreira Leite tinha viajado no carro oficial do presidente do governo regional, quando se encontrava em visita partidária à Madeira: «Fuck them», disse com apurado sotaque, na língua de Shakespeare. Gente letrada é outra coisa.

A frase do dia

«Ainda tenho de ir para uma feira...», Paulo Portas, líder do CDS-PP, à saída do debate com Jerónimo de Sousa, apressando as perguntas do jornalista, quando o relógio marcava 21h40, SIC-Notícias, 7 Setembro 2009

No carro com...Jerónimo de Sousa

Começa a aborrecer a série de pequenas histórias banais dos líderes políticos na intimidade, ou ao melhor estilo tablóide, «como nunca os viu». Que interesse tem ver o camarada Jerónimo a conduzir um Clio branco de PiresCoxe até à Soeiro Pereira Gomes ou saber que Paulo Portas adora comer sushi ao almoço no seu gabinete e é mestre na arte dos pauzinhos? O exagero chegou ao cúmulo de na SIC-N se apelidar de «histórico» o beijo que o secretário-geral do PCP deu em público, perante as câmaras, à mulher e aos netos. Adivinha-se o pior para os próximos convidados: uma ida às compras com Ferreira Leite ou uma manhã de jogging com o «animal feroz» socrático que um dia confessou, a Raquel Alexandra, a intrusa do costume, que gosta de dias cinzentos.

Coisas do Diabo

Curada da gripe(???) que a impediu de participar na festa do Chão da Lagoa, Manuela saiu às ruas do Funchal ao lado de Alberto João. Disse a respeitável senhora que não vislumbra sinais de «asfixia democrática» na Madeira. Aqui está um exemplo fantástico da «autenticidade» e «honestidade» que apontam à «Dona Gertrudes Tomás» social-democrata. O camarada Jerónimo é que tem razão: «Sócrates e Ferreira Leite são farinha do mesmo saco». Venha o Diabo e escolha...

06 setembro, 2009

Auto-espoliados

Vejo, na TVI24, que existe uma estrada em Portugal, a A-21, um troço de 17 quilómetros que liga a Ericeira à Malveira, que aumentou a sua portagem em...250 por cento. Ou seja, a portagem subiu de 60 cêntimos para 2,10 euros. Indignados, os populares protestaram ruidosamente, esta tarde, contra a «roubalheira». Muitos dos contestatários argumentam que para se deslocarem para o trabalho, em Lisboa, gastam, pelo menos, 4,20 euros por dia. A poucas semanas da «hora H», que é a do voto, faça-se uma «manif» às portas do ministério do Lino. Delicado e dedicado como anda o Governo com as questões sociais, o ministro das Obras Públicas vai, certamente, ser sensível aos pontos de vista destes novos auto-espoliados.

«É a vida»

Algo está a mudar. Os «paineleiros» do regime acham que Ferreira Leite ganhou o debate ao «picareta-falante» Louçã. Vi a contenda e confesso não ter ficado com essa sensação, sempre relativa, é certo. Algo nervosa, notoriamente mal preparada em determinadas matérias, nomeadamente sobre o programa do BE, a presidente social-democrata esteve alguns momentos a ver Louçã «bater bolas», com a sua demagógica, mas incrivelmente acutilante retórica. Na questão dos homossexuais embrulhou-se completamente. Perante isto, prefiro ouvir Portas defender os imutáveis valores da direita conservadora.
Num daqueles momentos de maior aperto, quando Louçã a questionava que não devia ser admissível que os ricos preferissem os cuidados de saúde privados só porque têm mais poder de compra, Ferreira Leite, soltou um «é a vida!». Por momentos fez lembra o engenheiro (o verdadeiro, o Guterres) antes de se afundar no pântano.
PS: Se fosse hábil nestas lides, Ferreira Leite teria «desmascarado» Louçã, elucidando as massas, bastante sensíveis ao discurso contra o grande capital do BE, que este partido é contra a presença de Portugal na União Europeia e na NATO. A respeitável senhora perdeu uma grande oportunidade, mas, lá diz o nosso povo, «quem não sabe, é como quem não vê»...

Chamemos-lhe apenas o «lado lunar»

O debate de ontem correu especialmente bem a Sócrates, muito por culpa da «delicadeza» do camarada Jerónimo, mas vincou detalhes que o Carlos Abreu Amorim, no «Blasfémias», chamando-lhe «O "lado lunar" do sr. Presidente do Conselho», sintetiza com especial pertinência.

Audiências e poder

Política e televisão não vivem separadamente. Da mesma forma que as boas audiências de um canal conseguem neutralizar desavenças e maus ambientes internos, um partido político só se mantém à margem de climas de guerrilha quando se encontra no poder e distribui «tachos» pelos seus. Sabe-se agora, com mais detalhe, como é que o casal M & M (Moniz e Manuela) punha e dispunha na redacção da TVI. A «generala» mandava mais do que os próprios superiores hierárquicos e instalou um clima de medo em Queluz de Baixo. Juntou meia dúzia dos seus indefectíveis para fazer o jornal anti-Sócrates, imbuída unicamente do espírito de «fazer justiça pelas próprias mãos». Isto dizem os colegas, sob a capa do anonimato, ao «24 horas» de hoje. Paula Magalhães e Carmen Marques, jornalistas veteranas do canal, foram emprateleiradas pela «generala». E, sem medo, dão a cara. Dizem que na redacção poucos estavam de acordo com o estilo do «Jornal Nacional das sextas-feiras» e denunciam, a parte mais grave, que assessores de Paulo Portas conseguiram, mediante pressões, alterar o tratamento editorial de notícias incómodas para o líder do CDS, nomeadamente o acidente com o navio «Prestige», quando Portas era ministro da Defesa.
Daqui se conclui que a TVI, há uns meses considerada imbatível no panorama televisivo nacional, pode ter iniciado uma viagem sem retorno em plano inclinado. Afinal, as galas baratinhas do canal, onde muitos elementos da redacção demonstravam a sua alegada «união», eram só para «inglês ver» e para facturar audiências. Segue-se o abismo.