06 maio, 2009

As lições do «índio» Waldo

Waldo é um italiano com raízes brasileiras. O acento com muito açucar assim o denuncia. Exerce a profissão de guia turístico, mas pelos vistos, enganou-se na vocação. Na viagem para a bela cidade de Assis, na província da Umbria, a 180 kms da capital, não parou de denegrir «os portugueses», aproveitando o ensejo para contar algumas anedotas que correm em Itália, pouco ou nada abonatórias para todos nós. Como «il portoghesi» têm fama de aldrabões por terras transalpinas, o guia, assim que o autocarro da excursão se aproximou de uma portagem, fez questão de realçar que os portugueses não pagavam portagens. Depois, explicou ao pormenor o que era o taxímetro de um táxi, não fosse a invenção ainda não ter chegado a terras lusas. Uma tremenda desfaçatez que deixou a comitiva de sorriso amarelo. Como o passar da jornada, o «índio», como foi apelidado por alguns dos participantes, moderou as observações negativas e a sua pesporrência, à espera do seu «dízimo» que, pelo menos da minha parte, nunca chegou. Menos moral e mais competência, é o único conselho que temos para oferecer ao homem do chapéu vermelho.

«Documenti!»

Nos 34 anos que levo de vida, que me lembre, nunca nenhum agente da autoridade me abordou nas ruas do meu país para pedir-me a identificação. Nos 10 dias que estive em Itália, dois agentes dos carabinieri abordaram-se para pedir, de modo imperativo, «documenti». Sorte ou o azar o meu, pensei. A primeira situação aconteceu numa avenida do centro de Roma após ter atravessado um semáforo e a outra em pleno aeroporto de Fiumicino, já a madrugada ia alta. Os tipos viraram e reviraram o nosso característico B.I. (provavelmente em busca de alguma associação à Al Qaeda) e só descansaram quando dissemos a palavra mágica: «Portogallo».

Comédia italiana

Regressado a Portugal após um período de férias, confirmo o que já suspeitava. Nada mudou. Até o buraco do Costa na Avenida de Berna está no mesmo sítio. Só os insultos ao camarada Vital no 1.º de Maio agitaram uma pátria, subitamente assolada por um calor estival. No país onde estive, a Itália, é que as coisas estão animadíssimas. O casamento de fachada do «premier», Berlusconi, acabou nas páginas dos jornais, por iniciativa da própria Verónica Lários. A rica senhora cheia de«pasta», garantem as gazetas transalpinas, não gostou que o marido tenha andado a namorar (politicamente e literalmente, dizem as más línguas) ex-misses e actrizes para integrar a lista às europeias do seu partido. Uma verdadeira comédia italiana. Por cá anuncia-se que o nosso «premier» vai dar o nó com a Câncio, que para já promove o seu mais que tudo nas páginas dos periódicos, ainda este ano. Em ambos os casos, o grau abaixo de zero da política.

26 abril, 2009

O bicho é manso, diz ele

O «animal feroz» voltou a fazer das suas. Desta feita, à saída da dura sessão de perguntas, cirurgicamente seleccionadas pelo aparelho do Largo do Rato. A jornalista do «Público» estava lá e descreveu o delicioso diálogo:
«(...) José Sócrates saíra da sala da “entrevista”, sorridente, com ar de quem passou com distinção na prova oral, e perguntou “Não foi mal, pois não?”, dobrando as folhas brancas com notas usadas nas respostas. E estava ali, a “dar sopa”, para os poucos jornalistas presentes. Uma jornalista pergunta se se pode aproximar e fazer uma pergunta. “Claro, eu não mordo”, responde Sócrates sorridente.“Não morde mas rosna. E às vezes rosna muito”, replica-lhe ela em voz alta. O primeiro-ministro fica atrapalhado, responde que não é bem assim, ainda a rir, sem saber muito bem o que fazer, mas ela insiste com o “rosnar”. Talvez pelo efeito surpresa, Sócrates nem se zangou, mas o caso cerrou alguns sobrolhos».
Fonte: Público, 26 Abril 2009

Higiene política

A «Veja» brindou os seus leitores com mais um exercício de inteligência e de crítica aberta aos políticos, ilustrando a capa do último número com um autoclismo, incitando os eleitores puxarem o dito para se livrarem deles. «A falta de honestidade, pudor, decoro, compostura e espírito público desmoraliza o Congresso. Só o o voto pode banir os maus políticos sem ameaçar a democracia», pode ler-se. Um retrato com inquietantes semelhanças com o nosso «quintal». Só nos faltam é publicações com a coragem da «Veja».

Amor em tempos de cólera

Os casos multiplicam-se a cada hora. A gripe suína, com epicentro no México, ameaça converter-se num grave problema de saúde pública a nível mundial. Na foto, dois jovens beijam-se, em plena Cidade do México. Um gesto que as autoridades desaconselham vivamente, sem protecção. Curiosamente, o slogan turístico da capital é «bésame mucho».

25 abril, 2009

Um dia (quase) perfeito

Cavaco trocou as voltas aos jornalistas que andaram a semana toda a especular que o PR ia desancar, outra vez, no governo. Os recados, a tal palavra «horrível» segundo Jorge Sampaio, vieram de mansinho e reeditando discursos anteriores. No fim, todos concordaram com o que disse o Presidente. Também era o que faltava se isso não acontecesse. Pior mesmo é passar das palavras aos actos. A sessão solene demonstrou ainda uma oportuna demonstração das qualidades de tribuno de Paulo Rangel. Mais uma. Inteligente a associação entre o dia da liberdade que se comemorava e o «roubo da liberdade de escolha às gerações futuras», devido à dívida contraída pelo executivo através do seu «Programa de Grandes Obras Públicas». Está bom de ver que Rangel faz-se. Perfeito, perfeito para as hostes sociais-democratas era que a líder o acompanhasse.

Obamas de imitação

Assim à primeira vista, parece ser um expert em novas tecnologias a explicar as virtualidades do meio, mas vendo bem é Santana Lopes, que passa de andar por aí a estar entre nós, nos próximos meses. O pontapé de saída foi dado esta tarde, numa comunicação no site oficial de campanha. Por seu turno, José Sócrates, o outro Obama de trazer por casa, vai responder, também hoje e também na internet a perguntas de internautas no seu site. Nenhuma delas deve ser de muito difícil resposta. Nenhuma deles deve ter o Freeport como assunto.