23 novembro, 2008

A frase do dia

«Aquilo não é um partido político, aquilo é uma organização que, às vezes, Meu Deus, até me faz lembrar a máfia siciliana. É que não tem princípios, nem valores, o partido diz-se socialista mas não é socialista, promete uma coisa, faz outra. A única coisa que nós dizemos que é constante naquele partido é a conquista do poder e a sua manutenção a qualquer preço», Alberto João Jardim, referindo-se ao PS, Agência Lusa, 23 Novembro 2008

Julgamento televisivo

Na véspera do início das alegações finais do processo Casa Pia, a TVI apresentou em prime time um extenso trabalho, fiel ao seu melhor estilo, ou seja, tendencioso. Sinais nas nádegas, circuncisões, «deficiências no pénis» e outros pormenores íntimos dos arguidos, foram escalpelizados. Ainda houve tempo para lembrar que os nomes de Ferro Rodrigues e Jaime Gama, o número 2 da hierarquia do Estado, também estiveram na boca de muitas crianças da Casa Pia. Se esta reportagem fizesse prova para julgamento, estavam todos condenados.

«El alcalde», señor Costa

Ter «boa imprensa» é meio caminho para atingir o cume político-partidário. Que o diga António Costa, que para além de andar nas graças da imprensa «tuga», agora também já conquistou a simpatia dos «media» internacionais. Na habitual rubrica «Café Com», do «El País» de sábado, o «alcalde» lisboeta foi o convidado do jornalista Francesc Relea, o autor de uma prosa muito, muito simpática para Costa, para uma «bica» e um pastel de nata na nova esplanada do jardim de S. Pedro de Alcântara. «Nos 15 meses que leva no cargo conseguiu pôr ordem na casa, depois de uma crise monumental que obrigou a eleições antecipadas», pode ler-se. Em política, já não é preciso fazer futurologia, basta apenas seguir as pistas e os sinais dos jornais e das televisões para perceber quem são os líderes políticos do amanhã. É praticamente garantido que a margem de erro é quase nula.

O clube do choco

As sondagens na internet ou por telefone podem tornar-se um grande embaraço. Que o diga o Vitória de Setúbal que promoveu um estudo de opinião na sua página web para procurar saber que nome se devia dar à nova mascote do clube setubalense. Contra todas as expectativas ganhou a opção «Choco», que segundo a tradição sadina quer dizer «medroso» ou «cobarde». Entretanto, a Comissão de Gestão decidiu suspender a sondagem disponível no site, que nos últimos 3 dias teve 30 mil votantes, considerando o resultado da sondagem «desvirtuado».

Sócrates no país dos carros eléctricos

Em mais um exercício de lirismo e propaganda, o «nosso» PM apresentou os carros do futuro, eléctricos, «sem barulho», «sem emissões de CO 2». Perfeito para países do primeiro mundo, mas com dinâmica de segundo, como Portugal. Se os portugueses concederem aos socialistas mais um mandato, o nosso país, lá por 2014, - alimentado a «Magalhães» e a carros eléctricos, estes já andarão pelos céus descongestionando as ruas das grandes capitais nacionais, - será, como sugere o João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos, uma remake do visionário filme Blade Runner, realizado nos anos 80 por Ridley Scott.

22 novembro, 2008

A frase do dia

«O Mundo sería mais pacífico se fossemos todos ateus», José Saramago, em entrevista ao jornal «El Clarin», 22 Novembro 2008

A diferença entre um rico e um indigente

O Conselheiro de Estado, Dias Loureiro, reconheceu na entrevista a Judite de Sousa que «não tinha dinheiro quando saiu da política», mas que agora, tanto ele como a família, «vivem «bem» e desafogadamente. Rejeita, contudo, considerar-se «rico». Mais de uma década nos negócios pelo norte de África e por outras paragens exóticas deve ter sido suficiente para atingir o desafogo financeiro. Se Dias Loureiro não é rico, eu, abaixo assinado, sou um indigente.

Tudo boa gente

Uma noite de contradições. Dias Loureiro foi à televisão explicar-se, quando devia ter ido fazê-lo ao Parlamento. Na entrevista, o ex-ministro de Cavaco mostrou-se sempre pouco seguro, com algumas respostas evasivas e muitos «não sei». Interessante o momento em que quase pôs as mãos no lume pelo agora «engavetado» Oliveira e Costa. Relembrou, depois, com pormenor, a conversa tida, em 2001, e em data precisa, com o então vice-governador do Banco de Portugal, António Marta, quando, segundo versão de Loureiro, pediu mais atenção para a supervisão bancária ao BPN, mas resalvou que os dirigente à frente do banco «eram boa gente». Marta desmente Loureiro, apesar de confirmar o encontro. «Se o dr. Dias Loureiro anda a dizer isso [que informou o Banco de Portugal de problemas de gestão do BPN] ou está a fazer confusão com a pessoa, ou a mentir”, afirmou António Marta, em notícia publicada hoje pelo “Expresso”. Segundo o relato de António Marta, Dias Loureiro até lhe terá perguntado porque é que a supervisão bancária não largava o BPN.
Fica, com toda esta troca de argumentos, demasiada suspeição no ar e a certeza de que muito dessa «boa gente» que o velho amigo de Cavaco Silva fala está envolvida até ao pescoço...