O Brasil deverá ter uma mulher presidente já no próximo domingo. Dilma Roussef, uma espécie de eminência parda de Lula no Palácio do Planalto, é uma criação do ex-metalúrgico para o substituir na cadeira do poder, após ter cumprido dois mandatos. Dilma mudou radicalmente o look, apoiou-se na extraordinária aceitação popular de Lula e nem os recentes escândalos abalaram a sua liderança nas sondagens. Fala-se numa política muito pouco preparada para função de tamanha importância, mas no fértil terreno da especulação também já se aventa que se se perceber que Dilma não tem unhas para esta guitarra, Lula voltará, após uma cirúrgica emenda na constituição brasileira, para um terceiro mandato. Lula tem a seu favor o facto de muito ter porfiado, após várias derrotas eleitorais, mas acabou por cair no goto dos seus concidadãos. Fala a linguagem do povo e nem os «mensalões» e outras suspeitas de corrupção o salpicaram grande coisa. Os Jogos Olímpicos e o Mundial de Futebol vão ajudar a reforçar a imagem poderosa que o Brasil actualmente ostenta na cena mundial. Lula corresponde ao arquétipo político do «eu roubo ou deixo roubar, mas faço». Se o povo gosta assim, para quê votar no escuro?27 setembro, 2010
A criação e o criador
O Brasil deverá ter uma mulher presidente já no próximo domingo. Dilma Roussef, uma espécie de eminência parda de Lula no Palácio do Planalto, é uma criação do ex-metalúrgico para o substituir na cadeira do poder, após ter cumprido dois mandatos. Dilma mudou radicalmente o look, apoiou-se na extraordinária aceitação popular de Lula e nem os recentes escândalos abalaram a sua liderança nas sondagens. Fala-se numa política muito pouco preparada para função de tamanha importância, mas no fértil terreno da especulação também já se aventa que se se perceber que Dilma não tem unhas para esta guitarra, Lula voltará, após uma cirúrgica emenda na constituição brasileira, para um terceiro mandato. Lula tem a seu favor o facto de muito ter porfiado, após várias derrotas eleitorais, mas acabou por cair no goto dos seus concidadãos. Fala a linguagem do povo e nem os «mensalões» e outras suspeitas de corrupção o salpicaram grande coisa. Os Jogos Olímpicos e o Mundial de Futebol vão ajudar a reforçar a imagem poderosa que o Brasil actualmente ostenta na cena mundial. Lula corresponde ao arquétipo político do «eu roubo ou deixo roubar, mas faço». Se o povo gosta assim, para quê votar no escuro?26 setembro, 2010
«Com Tiririca, pior do que tá não fica»
Em Portugal há políticos com alma de palhaços, no Brasil há palhaços que aspiram a ser políticos. É o caso do Palhaço Tiririca, um humorista que é um verdadeiro fenómeno de popularidade e que está a convencer o eleitorado de São Paulo em vésperas de eleições com a sua candidatura pelo Partido da República a deputado federal. O seu slogan de campanha é bem divertido: «Com Tiririca, pior do que tá não fica». A ver se convencemos os «nossos» palhaços Croquete e Batatinha a enveredarem por uma carreira política em Portugal. Talvez fosse possível tornar menos apalhaçada a nossa vida político-partidária.
Foi aqui que tudo começou
Faz amanhã 25 anos que foi inaugurado o Centro Comercial das Amoreiras. O primeiro shopping português, da autoria do arquitecto «quebra-brilhas», Tomás Taveira, que tanta celeuma causou. Mesmo que se tente negar, há um antes e um depois do Amoreiras. De remediados e pobrezinhos, passámos de consumistas e novos ricos. Emergiu também o novo conceito de «passeio público», em que famílias inteiras vão, mesmo em dias de sol, «pastar a vaca» para as novas réplicas paridas pós-Amoreiras.
Sócrates baldou-se
25 setembro, 2010
No news, bad news
O chefão da CNN, Joe Klein, foi despedido por falta de resultados, como agora se diz. O canal americano de cabo perdeu 36 por cento da sua audiência doméstica para a Fox e a MSNBC. Alguns dos seus principais pivôs e entretainers, caso de Larry King, estão a fazer as malinhas. Muitos questionam a falência do modelo do canal fundado por Ted Turner. Acho que é mais falta de assunto bombasticamente relevante. As guerras do Iraque do Afeganistão são mediaticamente invisíveis. A CNN está mesmo a precisar de outro «11-S».
Diarreia verbal
Devia sair um decreto-lei a obrigar a TVI a transmitir os seus jogos da Liga da cerveja e do cabo sem comentários. Com música clássica em fundo, como sugeriu, há uns anos, o «rei» Artur. No Marítimo-Benfica desta noite os dislates do narrador (Valdemar Duarte), do comentador (João Querido Manha) e do repórter de pista (Mário Gouveia) foram de bradar aos céus. A diarreia verbal destes senhores distorceu tudo, em vez de elucidar o telespectador, que acabou, eu falo por mim, por ficar mais confuso com as constantes contradições e leituras deslocadas. Mais valia terem ficado em Lisboa a comentar o jogo, fechadinhos numa sala escura, sempre poupavam uns trocos à contabilidade do canal de Queluz de Baixo. Um péssimo serviço.
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