25 setembro, 2010

No news, bad news

O chefão da CNN, Joe Klein, foi despedido por falta de resultados, como agora se diz. O canal americano de cabo perdeu 36 por cento da sua audiência doméstica para a Fox e a MSNBC. Alguns dos seus principais pivôs e entretainers, caso de Larry King, estão a fazer as malinhas. Muitos questionam a falência do modelo do canal fundado por Ted Turner. Acho que é mais falta de assunto bombasticamente relevante. As guerras do Iraque do Afeganistão são mediaticamente invisíveis. A CNN está mesmo a precisar de outro «11-S».

Diarreia verbal

Devia sair um decreto-lei a obrigar a TVI a transmitir os seus jogos da Liga da cerveja e do cabo sem comentários. Com música clássica em fundo, como sugeriu, há uns anos, o «rei» Artur. No Marítimo-Benfica desta noite os dislates do narrador (Valdemar Duarte), do comentador (João Querido Manha) e do repórter de pista (Mário Gouveia) foram de bradar aos céus. A diarreia verbal destes senhores distorceu tudo, em vez de elucidar o telespectador, que acabou, eu falo por mim, por ficar mais confuso com as constantes contradições e leituras deslocadas. Mais valia terem ficado em Lisboa a comentar o jogo, fechadinhos numa sala escura, sempre poupavam uns trocos à contabilidade do canal de Queluz de Baixo. Um péssimo serviço.

A frase do dia

«Os portugueses sabem sofrer desde que percebam que estão a fazê-lo em nome de alguma coisa que possa melhorar o seu dia-a-dia», Jorge Sampaio, ex-Presidente da República, Público Online, 24 Setembro 20101

24 setembro, 2010

A revolta dos pastéis de nata

Em tempo de profunda crise é preciso valorizar o que de positivo acontece e o que fazemos melhor. Soube-se hoje que o Pavilhão de Portugal presente na Expo de Hannover vendeu 17 mil pastéis de nata por dia. Sendo tamanho o êxito, porque não transformarmos o país numa gigantesca fábrica deste bolo tão popular. Comecemos a revolução silenciosa através da revolta dos pastéis de nata.

Tá a gravar

O relacionamento institucional entre o PS e o PSD já desce ao nível da intriga e da coscuvilhice. Passos Coelho, nos Açores, mandou hoje um recado a Sócrates, em Nova Iorque, garantindo que nunca mais se reunirá a sós com o Primeiro-Ministro, exigindo a presença de testemunhas. Voltamos aos tempos do antigamente, durante o governo Balsemão, em que o PM e o PR, se reuniam em Belém, sob a atenta vigilância de um oculto gravador.

A frase do dia

«Treinar o Real Madrid é como dirigir um circo», Alex Ferguson, treinador do Manchester United, comentando a experiência de José Mourinho, em entrevista à «Gazzeta dello Sport», 24 Setembro 2010

23 setembro, 2010

Depois do tango, a lambada

PS e PSD não se entendem sobre o Orçamento do Estado. Como dizia hoje uma articulista do «Negócios», Sócrates e Passos Coelho já não dançam tango, mas hip-hop. Eu acho que eles andam mais na versão lambada. O sociólogo Barreto veio à «SIC-Notícias» afirmar, com aquele ar grave e sério, que não acredita em nenhum deles e que as estratégias de ambos os líderes dos dois maiores partidários «é malévola» e dolosa para o país. Lá para meados de Outubro, acaba-se a dança e os dois políticos voltam a fazer as pazes. Em nome do interesse nacional e da responsabilidade. Seja lá o que isso for.

Presentes envenenados

A imprensa, em geral, e os jornais, em particular, estão na penúria. O efeito disto é que tornam-se permeáveis a uma relação perversa com empresas que tem um perigoso efeito «boomerang». Quando não existe dinheiro para quase nada, os jornais são aliciados com convites de petrolíferas, eléctricas ou bancos, para um seu jornalista viajar ao estrangeiro para cobrir uma acção, de marketing necessariamente, da referida empresa. Em nome da transparência é de bom tom escrever no fim da «peça» que o jornalista «viajou a convite» de «x» ou «y», mas fica sempre a sensação que o produto final, ou seja, a notícia, não tem a independência e o distanciamento exigido. Eu pelo menos quando me convidam para jantar não tenho por norma criticar o benemérito.