02 março, 2010

Monumento à estupidez

A Torre de Belém, o monumento lisboeta mais visitada pelos turistas (447 mil em média, por ano) está rodeado de lama e buracos desde o início de Dezembro, altura em que se desmontou a tenda gigante que albergou os chefes de Estado e do governo durante a XIX Cimeira Ibero-Americana. A Câmara, através do pelouro do «Zé», tem lá andado com uns tractores, mas o mau tem que se tem feito sentir não tem ajudado. É por estas e por outras que Jardim e seus pares têm muito mérito no hercúleo trabalho de reconstrução do Funchal. Com uma diferença: lá a tragédia foi natural, no continente a dimensão do desastre já roça a estupidez.

Obcecados pela «zebra»

Em Portugal as notícias são «plantadas» nos jornais, vê-se o feedback da populaça e de seguida, em função da reacção, vai-se em frente ou congela-se a coisa. As multas para os peões travessos que atravessam fora das passadeiras voltou à agenda, depois de longa hibernação. A polícia, segundo ouvi, trajada a rigor e à paisana, por estar preocupada com o número de atropelamentos, argumenta que se «limitará a cumprir o código da estrada» e a aplicar coimas entre os 10 e os 50 euros para quem desrespeitar as leis. Não há mais nada para fazer neste país. Os ladrões a monte assaltam à luz do dia bancos, ouriversarias e farmácias e os zelosos senhores agentes obcecados pela aplicação do código da estrada, segundo as palavras dos próprios. O raio que os parta!

Milagre da política

Esqueçam lá isso do conflito das autonomias. A Lei das Finanças Regionais está suspensa e a relação entre o Governo da República e o Governo Regional ascendeu à paz dos anjos. Sócrates e Jardins são dois políticos cooperantes, em prol do interesse nacional. Após se ter operado este milagre na política, só espero agora que surja outro facto transcendente para aproximar Pinto da Costa e Luis Filipe Vieira. Será preciso uma tragédia?

A frase do dia

«Um país sem futuro convida à emigração ou à paródia», João Pereira Coutinho, escritor, «Correio da Manhã», 28 Fevereiro 2010

01 março, 2010

Coisas do além

Só um marciano podia compreender os mais recentes sinais da política portuguesa: Jardim a tratar Sócrates nas palminhas e o Primeiro-Ministro a conceder entrevistas em exclusivo à TVI. Está tudo grosso!

28 fevereiro, 2010

Jardim forever

«Andávamos todos enganados. Portugal é isto», disse o emocionado e doce AJ Jardim, a partir da Madeira, para a plateia entusiasta e rendida que o ouvia desde o Coliseu de Lisboa, para elogiar a onda de solidariedade gerada após a tragédia que assolou a ilha. Confesso que tenho muito respeito pela causa madeirense, mas acho que o presidente do governo regional é um verdadeiro manipulador, até mesmo em momentos dramáticos. Durante anos alimentou um dialéctica agressiva e dura com todos os governantes do continente, a maioria socialistas, incluindo as referências pouco abonatórias a um tal «senhor Silva», que hoje é Presidente da República. Confesso que não consigo discernir quem é quem andou enganado, se ele se nós, mas uma coisa é certa: independentemente das concepções democráticas, os madeirenses devem-lhe (e com razão) tudo. Fazer uma estátua quando Jardim se reformar (hoje mesmo disse que iria reavaliar a sua saída do cargo em 2011) parece pouco. Rebaptizem o nome da ilha com o seu nome. No mínimo. Ou então convençam-no a ficar, pelo menos até aos 100 anos. Jardim forever!

Rio bravo

Passaram despercebidas as declarações do director do «JN», Leite Pereira, denunciando que «Rui Rio tentou demitir a direcção do jornal por várias vezes», pressionando administradores da Lusomundo. Já aqui disse que Rio é um político que admiro e provavelmente chegará lá, ou seja, à residência oficial de S. Bento. Mas, à semelhança de Sócrates, tem uma obsessão: a comunicação social. O «Público» e o «JN» são os seus inimigos de estimação, relação essa que o autarca faz questão de cultivar. E se Rio, na aldeia política que é a cidade do Porto se comporta como o director do «JN» diz, nem queremos imaginar o que faria se um dia dirigisse os destinos do país.

Horror na relva


Há uma maldição no Arsenal. Todos os anos um dos seus jogadores é atirado para o estaleiro longos meses devido a uma lesão grave. Aconteceu no passado com Eduardo e Diaby, ontem aconteceu com Aaron Ramsey, jovem de 19 anos, que sofreu dupla fractura de tíbia e peróneo, após uma entrada de Ryan Shawcross (que abandonou o campo lavado em lágrimas), que curiosamente foi convocado pelo seleccionador inglês para um amigável com o Egipto na quarta-feira.