14 setembro, 2009

Porreiro, pá!

Vasco Pulido Valente tem razão: Sócrates é um propagandista. Dos bons. Competente do ponto de vista da imagem e da comunicação, só Portas lhe chega aos calcanhares na difícil arte de ser o que não é. O primeiro entrevistado dos Gato Fedorento no «Esmiuçar dos sufrágios» saiu-se da melhor forma possível. Diz ele que os filhos lhe disseram para ser «simpático e bonzinho». Fica bem falar dos petizes, mas Sócrates tem uns bons assessores e é um excelente actor. Na conversa com Ricardo Araújo Pereira, que mais parecia o John Stewart nacional no seu «Daily Show», Sócrates marcou pontos, sabendo ele que estava a ser visto por uma audiência mais ampla do que a que assistiu aos debates e, mais importante, por um eleitorado mais jovem, muitos deles que votam pela primeira vez, e que necessitam de ser convencidos. O estilo cool e sem gravata também ajudou. Irrepreensível, dizemos. Porreiro, pá!

Surrealismo

Como diz um conhecido comentador que «fala pelos cotovelos», Sócrates e Ferreira Leite são verdadeiramente incompatíveis e nem à mesa conseguiriam chegar a um acordo sobre o vinho a pedir para a refeição. O Bloco Central, com estes protagonistas, só pode ser um exercício de surrealismo.

13 setembro, 2009

A voz

Todos identificam a sua voz. Raros são os que conhecem a sua cara. Ele é o homem do leme do “navio-almirante” da rádio mais ouvida do País. João Chaves comanda, após 25 anos de emissões ininterruptas, o mítico «Oceano Pacífico», na RFM. No dia 18 de Outubro apagam-se as velas de um quarto de século deste programa sem paralelo nas ondas do éter. Em entrevista ao «Ensino Magazine» de Setembro, o locutor revela quais são as canções da sua vida e partilha ainda com o nosso jornal os retalhos da vida de ouvintes que se apaixonaram, casaram e até evitaram o suicídio inspirados pelo som das suas «grandes músicas».

Sócrates e os seus apóstolos

Começa a ficar óbvio que Sócrates cometeu um deslize ao afirmar que o seu novo governo seria completamente novo. Hoje, deu o dito por não dito. Afinal, não tinha sido bem assim. De facto, um executivo socrático sem Silva Pereira, Vieira da Silva ou Santos Silva, só para citar os indefectíveis, é algo francamente impensável.

O regresso da «Padeira de Aljubarrota»

Armada em «Padeira de Aljubarrota», Ferreira Leite protagonizou um dos momentos mais vivos no debate de ontem, com consequente eco na imprensa espanhola, aqui , aqui e aqui. E nem se pode invocar que foi apenas o jornal dos socialistas em Espanha que pegou no assunto. O periódico da direita do país vizinho foi até mais contundente e a declaração de que «Portugal não é uma província de Espanha» é uma das notícias mais lidas no «El Mundo».
Proponho que a primeira visita oficial de Ferreira Leite ao exterior, depois de eleita, como «deseja» e «espera», seja a Espanha para fazer as pazes com os empresários e o poder político espanhol. Em campanha eleitoral pode não precisar deles, mas uma vez instalada na cadeira do poder a respeitável senhora é que capaz de ter que dar o dito por não dito.

12 setembro, 2009

Repartição de pontos

O debate desta noite acentuou a ideia que a decisão a escola do próximo Primeiro-Ministro no dia 27 vai oscilar entre um «encantador de serpentes» e uma genuína candidata com problemas de expressão. Eu apostaria numa «tripla». Um empate técnico. Dentro de uns dias ninguém se lembrará do que se discutiu nestes 8 dias. Novidade mesmo, foi Sócrates anunciar que, em caso de vitória, o seu próximo executivo terá ministros novos. A campanha segue dentro de momentos.

O debate

Há muito tempo que não existia tanto entusiasmo em torno de um debate televisivo. Já se compara o duelo Sócrates-Ferreira Leite, esta noite, na SIC, a um derby entre Benfica-Sporting ou a um combate de boxe. Espera-se, apenas, que não haja mais um empate técnico.

A frase do dia

«Sócrates nunca passará de aprendiz de feiticeiro de Berlusconi», José Eduardo Moniz, ex-director geral da TVI, entrevista ao «DN», 12 Setembro 2009