29 março, 2009

Ópera para os operários

O público que assiste aos espectáculos líricos é, geralmente, exigente e não perdoa deslizes. O «CM» e o «24 horas» noticiam que José Sócrates e a primeira dama informal, a senhora «f», como assina no seu blog, foram vaiados em pleno grande auditório do CCB, pelo atraso de meia hora no início da ópera cabo-verdiana «Crioulo». Fonte do gabinete do Primeiro-Ministro esclareceu que Sócrates chegou às 21h10, mas, por motivos de protocolo, aguardou pela comitiva do seu homólogo de Cabo Verde, que compareceu em Belém cerca de trinta minutos depois da hora marcada para o espectáculo.

Homem por fora, mulher por dentro

Começou por chamar-se Estefania, mas mudou o nome do BI para Rubén. Tem 25 anos, vive em Madrid e pode ser o primeiro transexual a ser pai/mãe (whatever) de gémeos. Considera-se «homem por fora - penso, actuo e sinto-me como um macho, mas (ainda) mulher por dentro», disse ao suplemento «Cronica» do «El Mundo».

28 março, 2009

Os campeões da Matemática

3 empates a zero. 9 pontos perdidos na fase de qualificação, ainda esta vai a meio. Depois de 8 anos em que nunca falhámos, com mais ou menos dificuldade, o apuramento para as fases finais de mundiais e europeus, arriscamo-nos, seriamente, a ficar fora da Taça do Mundo, em 2010, na África do Sul. Os pecados, ultrapassados ou mitigados com Scolari, são os de sempre. Muita habilidade, pouca eficácia. Por vezes, pouco talento, não raro, escasso empenho. É justo referir, aqui e ali, tem faltado a «estrelinha». Mas também é preciso dizer a verdade: a «geração Ronaldo» vale substancialmente menos do que a «geração Figo». Se calhar até valia a pena ficar 4 anitos em pousio, a ver os outros a jogar os grandes certames pela televisão. É irritante admitir, mas não querendo ser porta-voz dos portugueses, creio que continuamos com saudades desportiva de Scolari. As contas do homem, nas fases de qualificação, batiam sempre certo. E o «clube do amigos», que invariavelmente escolhia, tinha o espírito e a entrega que esta amálgama de «bons rapazes» seleccionados por Queiroz, definitivamente não tem.
Ah, e não se esqueçam de naturalizar depressa o Liedson, para afastar o Hugo Almeida da convocatória, um autêntico elefante numa loja de porcelanas - o mesmo é dizer, um zero à esquerda dentro da área. Enquanto isso, comprem calculadoras. Até ao próximo mês de Outubro vão fazer falta.

Antevisões fúnebres

Sócrates anda acossado pelo caso Freeport e pela TVI, mas pode estar descansado em termos de confronto político, já que a oposição não lhe faz frente. No «laranjal», continua sem se saber o nome do cabeça de lista às europeias, o que abre caminho à fértil especulação e boataria. Marques Mendes é o nome que mais se ouve, mas Borges, Aguiar-Branco e Agostinho Branquinho (medo!!!!), entram na «bolsa de apostas». Para piorar as coisas, Marco António Costa, deu hoje uma entrevista ao «JN», admitindo poder vir a ser candidato à liderança nacional do partido. «Quem sabe... A vida política é uma caixa de surpresas e uma permanente incógnita. Se sentir que posso contribuir e se considerar que tenho as capacidades necessárias, admito que possa um dia ser candidato», disse o braço direito de Menezes. Se Dias Cunha perspectivou que o Sporting acaba dentro de 10 anos, por este caminho o PSD não chegará, sequer, a essa marca.

27 março, 2009

A frase do dia

«Não tenho culpa que o actual primeiro-ministro tenha um passado recheado de episódios que vale a pena investigar! Estão constantemente a aparecer... Não vou investigar porque é o primeiro-ministro?! Pelo contrário: ele tem de ser ainda mais escrutinado do que os outros.», Manuela Moura Guedes, Suplemento «P2» do «Público», 27 Março 2009

A tendência para a falcatrua

Na sua infinita sapiência, dizia o senhor Presidente do Conselho, o ilustre professor doutor, António de Oliveira Salazar, que «os portugueses tinham uma propensão falcatrueira». Já no seu tempo. Se soubesse o que anda pelo seu Portugal, Salazar daria umas quantas piruetas no túmulo. No terceiro dia do julgamento de Isaltino Morais, o Ministério Público e o colectivo de juízes quiserem saber mais pormenores sobre a «apetência» do autarca de Oeiras por «dinheiro vivo». Isaltino voltou a justificar-se, com o que não tem justificação, afirmando «que sempre gostei de ter dinheiro no bolso». Para desculpar-se, disse até que a sua ex-sogra guardava dinheiro em...frigideiras. Toda a vida fez e alinhou em esquemas. O que eu faço, todos fazem, é o seu lema. Pois, e é, também isso, que faz com que ganhe, sucessivamente, eleições. Ele e os outros da sua cepa. Da boca do povinho, sai a cassete do costume: «Ok, ele rouba. Mas não roubam todos? Pelo menos ele faz qualquer coisa».

Encontramo-nos no tribunal

O telejornal que faz parar o país voltou a colocar em xeque a credibilidade do Primeiro-Ministro, ao transmitir o DVD da conversa de Charles Smith e Alan Perkins, em que o primeiro classifica o então ministro do ambiente de «corrupto». A conversa e o video que que incriminam Sócrates podem ser vistos aqui. De S. Bento a reacção foi rápida para controlar os danos. Um comunicado difundido minutos depois fala em «falsidades e difamação». O caso segue para a barra dos tribunais.

26 março, 2009

Pontapé na Justiça




No dia em que Isaltino confessou em tribunal que cometeu umas ilegalidades fiscais e que meteu ao bolso uns milhares dos donativos de campanhas eleitorais, o choque veio do tribunal de Marco de Canavezes que absolveu Avelino Ferreira Torres, que estava acusado de quatro crimes que o Ministério Público considerou provados: corrupção, peculato de uso, abuso de poder e extorsão. Continuamos a descer no poço que não tem fundo à vista. Não se deve acreditar em mais nada. A desfaçatez é tal que o homem aproveitou para lançar candidatura às próximas autárquicas. Posto isto, já se pode dar por adquirido que em Portugal só vai preso quem cometer homicídio, de preferência em série e com requintes de malvadez. E, mesmo assim, não é certa a pena máxima. A Justiça levou hoje mais um pontapé, como aquele que Ferreira Torres deu, há uns anos, no seu «próprio» estádio.