01 março, 2009

Cinema Paraíso

O grande momento do congresso socialista não foi o desvendar do nome de Vital Moreira para a Europa ou a ausência de Manuel Alegre. Do conclave de Espinho, saiu a notícia de que o grande líder também se emociona. Quando o filme da história do PS passou no ecrã gigante do pavilhão, foi evidente que Sócrates procurou para este momento (espontaneamente ou devidamente forjado) passar a mensagem que é um ser de carne e osso e até consegue estar à beira de verter uma lágrima (sim, vê-lo a chorar era excesso de empenho de representação!). Um momento digno do filme italiano «Cinema Paraíso», tendo como pano de fundo o velhinho tema «That's what friends are for», com as carinhas dos amigos (e que amigos) Soares, Constâncio, Sampaio, Guterres, Ferro e o próprio Sócrates.
De resto, ao longo dos três dias, o secretário-geral do PS foi uma autêntica «pop star». Discursos com o indispensável teleponto, caminhou sempre rodeado por assessores e seguranças, só falou durante uns minutos aos jornalistas sobre o que lhe interessava - o recurso às novas tecnologias, numa clara colagem a Obama. Na apoteose, distribui beijinhos, aceitou solitações de admiradores (?) para tirar fotos e revelou-se um entendedor do novo «Sócrates Mobile». Do PS que passou do video, pese embora a emoção, já pouco ou nada resta. Nem ideologia fundadora, nem líderes com o carisma de Soares. O que existe, e para durar, é a marca Sócrates. E, tal como as marcas brancas em tempo de crise, são muito procuradas como alternativa ao vazio.

«Manifesto dos 119»

Além das petições online em defesa do JN e do DN, está em curso uma outra iniciativa de apoio à luta e à resistência dos jornalistas e outros trabalhadores do grupo Controlinveste, que desencadeou um despedimento colectivo. Essa iniciativa visa a subscrição do chamado «Manifesto dos 119», o número total dos elementos dispensados pela administração do grupo. Aos que desejaram colocar a sua assinatura,pede-se que o façam até terça-feira, para que o manifesto possa ser apresentado no dia seguinte, coincidindo a com a greve dos trabalhadores da Controlinveste.

Surrealismo

Trabalhos de sábado no congresso socialista interrompidos por falta de luz. Esqueceram-se de pagar a factura da electricidade à EDP ou o PS quis recriar, com o máximo realismo, a «campanha negra» que apregoa?

28 fevereiro, 2009

Um «socialista freelancer»

De Coimbra vem o surpreendente cabeça de lista socialista ao Parlamento Europeu: o constitucionalista Vital Moreira. Uma escolha que deve agradar a Manuel Alegre, o grande ausente do congresso do PS. Os «bons serviços» do professor universitário, que se intitula um «socialista freelancer», como comentador em jornais, televisão e no seu blog «Causa Nossa» deram uma ajudinha. Vital disse que espera contar com Ana Gomes nas listas às europeias e com Alegre para os próximos combates políticos. Até Edmundo Pedro pediu desculpa a Sócrates pelo embaraço causado quando disse que «havia medo no PS». Estes congressos «viciados» pelas directas acabam sempre assim. Uma espécie de «foram felizes para sempre». Como nos romances. Não há notícias da S. Caetano à Lapa, mas suspeita-se que se o candidato for Marques Mendes, o PSD até possa obter uma honrosa derrota moral.

Sessões contínuas

Ao segundo dia, a cobertura do congresso do PS por parte dos canais de informação está a registar uma autêntica «overdose». A caloira TVI24 tem-se esmerado ao longo de toda a jornada, com entrevistas a congressistas, peças e directos de intervenções a partir de Espinho. A tertúlia de Constança Cunha e Sá, António Ribeiro Ferreira e Ana Sá Lopes tem sido um dos pontos altos da coisa. Só falta um cafézinho e cinzeiros para os 3 convivas.

A frase do dia

«A doença do nosso tempo é a falta de tempo», Wim Wenders, cineasta, Agência Lusa, 28 Fevereiro 2009

A «Dra Rute Remédios» do TVI24

Estreou ontem, a desoras, como convém, o programa «Aqui há Sexo» no TVI24, com a sexóloga que o país inteiro consagrou e Moniz apostou. Durante mais de 1 hora, falou-se de orgasmos, ejaculações e outras deambulações do foro sexual. A «Dra Rute Remédios» do novo canal de informação despachou as chamadas telefónicas que caiam em catadupta na central. Ao preço de uma consulta de 80 euros, a clínica teria tido uma noite francamente produtiva. Depois de ver a performance da sensual e provocante Marta Crawford, fiquei com vontade de...rever o imperdível sketch da «Dra Rute Remédios», na pele de Herman José, que celebrizou o aforismo: «As opiniões são como as vaginas, cada um tem a sua, e quem a quiser dar, dá-la». Certo? Certo...
VIDEO - Sketch «Dra Rute Remédios»

O vizinho do quarto esquerdo

Em fim-de-semana de conclave socialista, Sócrates e o PS dominam as atenções. Fora e dentro da nave de Espinho. Ontem à noite, no decorrer da transmissão televisiva na RTP-1 do Benfica-Leixões, Hélder Conduto, durante a narração do jogo e completamente a despropósito, disse que «Quique Flores era vizinho de José Sócrates e morava no centro de Lisboa». Confesso que não percebi a ligação. Provavelmente foi mais um número de campanha pré-eleitoral do canal do Estado.