02 janeiro, 2008

Não me comparem a um cão!

Na sua crónica semanal na TVI, Miguel Sousa Tavares destilou rancor contra a lei anti-tabaco e para a ASAE, que denominou «a nova polícia portuguesa». Mostrou-se indignado por se ter visto confrontado à entrada de um restaurante do Porto com dois dísticos, um a proibir cães e o outro a proibir...fumadores. E mais ficou quando num dos restaurante onde é mais assíduo em Lisboa, lhe disseram que não havia tratamento de excepção para o autor do "Rio das Flores". Resultado: Miguel desandou e foi almoçar para outro lado.
Num País onde o debate está na moda, era capaz de ser boa ideia que um qualquer canal televisivo promovesse um debate alargado sobre esta lei. Miguel Sousa Tavares, pelo não, e Macário Correia, pelo sim, eram dois nomes garantidos e que davam boas audiências.

As frases do dia

«Deus nos dê a todos saúde porque com saúde vamos ter a força que o povo madeirense precisa para saber resistir a todas as injustiças e o resto do país precisa da nossa força para se ver livre do Senhor José Sócrates Pinto de Sousa», Alberto João Jardim, durante uma inauguração em Porto Moniz, Agência Lusa, 2 de Janeiro 2007


«Penso que o Ministro das Finanças não responde às cartas do secretário regional por iliteracia. Tem uma enorme dificuldade em escrever e falar. Como se trata de iliteracia, vamos deixar aperfeiçoar as suas capacidades ortográficas e aguardar a carta dele», Alberto João Jardim, no final da cerimónia dos 500 anos da cidade do Funchal, Agência Lusa, 2 de Janeiro 2007

A prova do crime...

Virtudes públicas, vícios privados. O presidente da ASAE, a entidade que vai fiscalizar a lei anti-tabaco, apanhado pela objectiva indiscreta do fotógrafo do DN, quando fumava uma cigarrilha, em plena madrugada de 1 de Janeiro, no Casino Estoril.

"Gato" embrigado

José Diogo Quintela, um dos humoristas dos "Gato Fedorento", foi detido na madrugada de 1 de Janeiro, quando seguia ao volante do seu carro, por acusar 1,6 gramas de álcool por litro de sangue, 3 vezes superior ao limite legal. O champagne que os felinos começaram a ingerir em pleno programa de final de ano pressagiava o pior. O "gato" vai hoje a tribunal dar explicações perante um juiz e até apostamos que o magistrado vai ser tolerante. A menos que não ache piada ao humor dos bichanos...

01 janeiro, 2008

Políticos de fraca memória

É curioso que na sua mensagem de Ano Novo, Cavaco Silva apele ao Governo para promover o diálogo como forma de reduzir a conflitualidade e as tensões sociais que se têm vindo a verificar, quando as pessoas com memória, mesmo as mais novinhas, se lembram das cargas policiais para dispersar manifestações e greves levadas a cabo pelo seu executivo, nomeadamente por Dias Loureiro, o então Ministro da Administração Interna.
Um ano depois, o PR constata também que na Educação, na Justiça e na Economia poucos resultados foram alcançados pelo executivo. Quase a cumprir dois anos de mandato, Cavaco eleva o tom mais muito de mansinho. Fazem-se apostas para quando é que o PR vai libertar o «monstro» que existe dentro dele?

E o que é que o Rui Rio vai fazer?

Pedro Abrunhosa debitou umas postas de pescada em plena Praça do Comércio direitinhas para a Avenida dos Aliados, no Porto. Ao seu destinatário, Rui Rio, o músico que canta como quem arrota baixinho, chamou «ditador de província». Depois de Salazar e Sócrates, portugueses com pulso e fortemente determinados, para usarmos um eufemismo, não se espantem que o Abrunhosa engula daqui a uns anos o que agora está a dizer. Afinal, os portugueses, adoram um líder de cinto na mão...

O silêncio já não é de ouro

As modas já chegaram aos rituais fúnebres e de pesar e, o mais curioso, é que atravessaram mesmo o quase sempre inexpugnável canal da Mancha. Quando julgávamos que a idiota prática de bater palmas num minuto que se imortalizou como sendo de silêncio, se confinaria à parte continental do Velho Continente, assistimos que a mesmo bizarria aconteceu agora nos campos da Premier League, quando se prestava homenagem ao jogador do Motherwell que sucumbiu no passado fim de semana.

E depois do adeus?

«Foi uma merda, foi um cocó, foi uma cagada». O coro gospeliano que encerrou “Diz que é uma espécie de réveillon” prosseguiu a senda de auto-comiseração iniciada e permanentemente alimentada pelos autores nos dias prévios. O programa não foi mau, mas também não deslumbrou. Mas curiosamente foram os momentos musicais, todos resgatados aos anos 80, que salvaram a honra do convento. A ideia de regressar à década prodigiosa até que foi bem engendrada, mas, por exemplo, o recurso ao helicóptero acidentado acabou por aborrecer, repetido até à exaustão. Curiosamente, o melhor sketch, teve como protagonista, mais uma vez, José Sócrates, num regresso ao passado, corria o ano de 1985. A fumar brocas com um companheiro, o então jovem, com ar woodstockiano, já prometia criar 150 mil empregos, construir o aeroporto da Ota e até disse ao colega de desbunda que mais depressa chegava a líder do governo do que tirava o curso de engenharia. Agora que os “Gato” entram em ano sabático, confessamos que vamos ter saudades da sátira política. Em São Bento, respira-se de alívio. A pausa dos “fab four”, enquanto humoristas, justifica-se. O balão estava a perder ar. A imaginação começava a gastar-se. Já os “gato” líderes da oposição deviam continuar em funções. Em nome do não à claustrofobia democrática. Por muito que se esforce, L Filipe Menezes não chega aos calcanhares de Araújo Pereira & Cª.