18 abril, 2011

Jornalismo à rasca

Eu compreendo que o «citizen kane» lusitano, o Tó Oliveirinha, apenas tenha olhos para a SportTV, mas só queria deixar o alerta à navegação para quem dirige um dos jornais que mais vende em Portugal, o «Jornal de Notícias», no que hoje vem na sua página 42, sobre as eleições na Finlândia. «Coligação nacional vence eleições à rasca». O quê? Mas que termos são estes? Isto é o jornal da caserna ou a folha dos teenagers da Areosa? O que é que andam a fazer nas nossas redacções, pá?

O desejado

É oficial. Pedro Santana Lopes é avô de um Sebastião. O «menino guerreiro» e o «playboy» diletante no louco cruzeiro da «Caras» são coisas dos arquivos dos jornais. O homem está maduro, desistiu de qualquer projecto político, e está concentradíssimo (obrigado, Paulo Futre) na sua função de comentarista político na TVI. Para além disso, Santana lá vai debitando umas coisinhas no seu blog e só deve ter olhos para o primeiro descendente do seu filho Gonçalo. Ah, só um bocadinho de picante no meio de um texto tão ensonso, o filho de Santana é casado com Rita, uma antiga assessora do ex-Primeiro-Ministro. Percebem, sócios?

Passos Martinelli

Estamos a regressar ao tempo das contratações de magos do marketing político do lado de lá do Atlântico. O recente estrondo da campanha do Pingo Doce com Duda Mendonça fez os portugueses voltaram-se, de novo, para o Brasil. Passos Coelho vai confiar nas mãos de Marcos Martinelli, que tem nome de gelataria, a sua campanha até ao dia 5 de Junho. O que se sabe é que este «zuca», foi jornalista e já assessorou 10 campanhas eleitorais no seu país, tendo ganho umas e perdido outras. Vamos ver se o "Edson Athayde" da S. Caetano à Lapa pega de estaca, ou se é recambiado no primeiro voo para terras de vera cruz na madrugada de 6 de Junho.

Máxima concentração!

Em terra de cegos quem tem um olho é rei, e o Licor Beirão foi o primeiro a fisgar uma oportunidade de negócio. Não contratou nenhum chinês, mas sim Paulo Futre: «Sócio, queres ganhar um Porsche igual ao meu?» é o mote da campanha que será transmitida em outdoors,mupis, televisão e na internet. Estejam...concentradíssimos!

A frase do dia

«Sócrates esteve a viver num mundo de fantasia. Teixeira dos Santos era quem tinha razão», Diogo Freitas do Amaral, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do PS, RTP-1, 18 Abril 2011

17 abril, 2011

O engenheiro «corta-fitas»

Se não fosse a notícia do «Sol» a denunciar festa milionária de inauguração do último troço da CRIL, teriam sido gastos 100 mil euros na desbunda. Afinal, só havia umas águas, uns modestos desdobráveis e umas sacolas ainda mais indigentes. Em plena campanha pré-eleitoral, o «Socas» armou-se em «corta-fitas» de uma obra que começou a ser construída há duas décadas. Mesmo tendo em consideração a complexidade da obra, é uma derrapagem temporal inaceitável. O engenheiro quis associar-se à obra, talvez por não ter sido o autor de nada do que foi inaugurado.

O regresso do candidato Basílio

O socialista João Soares costuma dizer com graça que «na política, no amor e na religião não digo nesta água não beberei». Depois da cambalhota de Nobre, da esquerda para a direita, agora é a vez de Basílio Horta, dar um salto mortal encarpado para as listas do PS pelo distrito de Leiria, ele que foi um dos fundadores do CDS. Basílio vai regressar no ocaso da sua carreira ao Parlamento, sendo a recompensa pelas palavras simpáticas como presidente do AICEP durante o «consulado» socialista. O PSD também não se pode ficar a rir. Os seus alegados independentes. o escritor Francisco José Viegas e o comentador Abreu Amorim, receberam o rebuçadinho pelos bons préstimos como analistas de actualidade. Porque em política tudo tem um preço.

Ungido de Deus

Era expectável que o PS atirasse artilharia pesada sobre Nobre, mas se calhar menos previsível era que o candidato a presidente da AR com as cores sociais-democratas tropeçasse na sua própria casca de banana. A entrevista de ontem ao «Expresso», desde o Sri Lanka, é disso exemplo. Passos Coelho e sus muchachos exigiram que o presidente do AMI viesse clarificar algumas observações pouco nítidas ontem proferidas no semanário. Nobre lá veio recambiado para a RTP, com aquela estafada de «os portugueses conhecem-me», e fez a revelação da noite: a sua decisão de encabeçar as listas do PSD em Lisboa deveu-se exclusivamente às características de liderança e de serenidade demonstradas pelo presidente social-democrata nas três reuniões que com ele manteve. Mesmo desconhecendo o programa de governo do PSD, Nobre confia cegamente em Passos, como se este fosse um ungido de Deus. Um verdadeiro naif.