28 setembro, 2010

Justiça leonina

José Eduardo Bettencourt pode ser um craque em gestão bancária, mas no futebol demonstrou ser um elefante numa loja de porcelanas. O processo de limpeza em curso que está a decorrer em Alvalade, com o beneplácito do BES, vai levar à convocação de uma assembleia-geral que pode provocar eleições antecipadas. Paulo Pereira Cristóvão, que já levou para contar no último sufrágio e Rogério Alves, curiosamente duas pessoas ligadas ao meio judicial, estão na pole position para eventuais candidaturas. O mais provável é que o advogado que ajudou os portugueses a descomplicarem o sistema de justiça português aceite o desafio de curar as maleitas de um enfermo e traumatizado leão.

Alerta máximo

Depois dos atentados em Londres e Madrid, parece iminente uma tragédia de proporções indeterminadas em Paris. A capital francesa está em alerta permanente e a Torre Eiffel voltou a ser evacuada durante o dia de hoje. Os serviços secretos gauleses temem que o foco terrorista incida sobre o sistema de transportes da «cidade-luz». O presidente Sarkozy foi recentemente apelidada pela Al-Qaeda como «o inimigo de Alá». Com índices de popularidade tão baixos, o presidente francês era capaz de precisar de um cenário apocalíptico para unir uma nação feita em cacos, em termos de moral e identidade.

27 setembro, 2010

A criação e o criador

O Brasil deverá ter uma mulher presidente já no próximo domingo. Dilma Roussef, uma espécie de eminência parda de Lula no Palácio do Planalto, é uma criação do ex-metalúrgico para o substituir na cadeira do poder, após ter cumprido dois mandatos. Dilma mudou radicalmente o look, apoiou-se na extraordinária aceitação popular de Lula e nem os recentes escândalos abalaram a sua liderança nas sondagens. Fala-se numa política muito pouco preparada para função de tamanha importância, mas no fértil terreno da especulação também já se aventa que se se perceber que Dilma não tem unhas para esta guitarra, Lula voltará, após uma cirúrgica emenda na constituição brasileira, para um terceiro mandato. Lula tem a seu favor o facto de muito ter porfiado, após várias derrotas eleitorais, mas acabou por cair no goto dos seus concidadãos. Fala a linguagem do povo e nem os «mensalões» e outras suspeitas de corrupção o salpicaram grande coisa. Os Jogos Olímpicos e o Mundial de Futebol vão ajudar a reforçar a imagem poderosa que o Brasil actualmente ostenta na cena mundial. Lula corresponde ao arquétipo político do «eu roubo ou deixo roubar, mas faço». Se o povo gosta assim, para quê votar no escuro?

A frase do dia

«Quando oiço o governo, lembro-me de uma valsa que é o "Outono", que é a última valsa que tocaram aqueles músicos da orquestra do Titanic. Está tudo a ir ao fundo e eles continuam a tocar a valsa», Luís Filipe Menezes, Diário Económico, 27 Setembro 2010

Recomendações «negociadas»

O velho Silva Lopes é que disse tudo: as recomendações da OCDE são «negociadas» e articuladas com o Governo. E quem está como embaixador português na OCDE? Ferro Rodrigues. Preparem-se para mais uns pózinhos no IVA e no IMI. A malta como até vive bem, nem vai protestar.

26 setembro, 2010

«Com Tiririca, pior do que tá não fica»

Em Portugal há políticos com alma de palhaços, no Brasil há palhaços que aspiram a ser políticos. É o caso do Palhaço Tiririca, um humorista que é um verdadeiro fenómeno de popularidade e que está a convencer o eleitorado de São Paulo em vésperas de eleições com a sua candidatura pelo Partido da República a deputado federal. O seu slogan de campanha é bem divertido: «Com Tiririca, pior do que tá não fica». A ver se convencemos os «nossos» palhaços Croquete e Batatinha a enveredarem por uma carreira política em Portugal. Talvez fosse possível tornar menos apalhaçada a nossa vida político-partidária.

Foi aqui que tudo começou

Faz amanhã 25 anos que foi inaugurado o Centro Comercial das Amoreiras. O primeiro shopping português, da autoria do arquitecto «quebra-brilhas», Tomás Taveira, que tanta celeuma causou. Mesmo que se tente negar, há um antes e um depois do Amoreiras. De remediados e pobrezinhos, passámos de consumistas e novos ricos. Emergiu também o novo conceito de «passeio público», em que famílias inteiras vão, mesmo em dias de sol, «pastar a vaca» para as novas réplicas paridas pós-Amoreiras.

Sócrates baldou-se

O Primeiro-Ministro até chegou a confirmar a sua presença na mini-maratona de Lisboa, mas acabou por baldar-se. Deve ter tido medo das reacções da populaça. Está visto que Sócrates já não corre nem por dentro, leia-se o governo, e muito menos por fora.