14 junho, 2010

Costa dos traidores

Os portugueses adoram apontar o dedo a «miguéis de vasconcelos», responsabilizando-os por tudo o que corre mal. Sempre foi assim na nossa História. O verdadeiro foi Secretário de Estado da duquesa de Mântua, vice-rainha de Portugal, em dependência do rei de Espanha, tornando-se odiado pelo povo, por, sendo português, colaborar com a representante da dominação filipina. Pagou por isso. Foi defenestrado da janela do Paço Real de Lisboa. O treinador português Toni pode bem ser o novo «Miguel de Vasconcelos» do Mundial 2010. O pecado do ex-técnico do Benfica foi ter aceite o convite do seu amigo Eriksson, treinador da Costa do Marfim, para olheiro dos africanos durante o campeonato do mundo. Se as coisas correrem mal, já temos o primeiro bode expiatório.

Ser Primeiro-Ministro tira anos de vida


O companheiro de lides blogísticas, Platonismo Político, publica uma curiosa e trabalhosa linha do tempo do engenheiro Sócrates e o seu progressivo envelhecimento ao longo dos anos que leva na liderança do país. Ser Primeiro-Ministro tira anos de vida. Ainda bem que de 4 em 4 anos existe mundial de futebol.

13 junho, 2010

Relações laborais fortes

As relações de proximidade em ambiente laboral são praticamente inevitáveis. Para quem quer e para quem deixa. Lembro-me que o defunto «O Independente» relatou um dia que numa acção de desentupimento nas casas de banho do antigo edifício sede da RTP na Avenida 5 de Outubro foram descobertos centenas de preservativos. Há dias, numa das colunas de «bocas» dos jornais, aquelas a que ninguém dá crédito, mas todos lêem, revelava-se que a ministra da Saúde apanhou em flagrante dois colaboradores seus em contactos íntimos no seu gabinete. No Parlamento o burburinho também é grande. Um deputado e uma funcionária parlamentar foram apanhados literalmente com as calças na mão pelas zelosas funcionários de limpeza atrás de uns reposteiros. O que se estranha é a hora do acto, ainda não eram 8 da manhã. Ainda dizem que os deputados da nação não trabalham...

Justiça «à la minute»

A África do Sul debate-se com um grande registo de criminalidade, especialmente do tipo violenta, mas ao mesmo tempo tem tribunais muito céleres. Dois dos ladrões que roubaram os jornalistas que acompanhavam a selecção dos «navegadores» foram condenados, em menos de 48 horas, a 15 (!!!) anos de prisão por um tribunal especial criado para julgar casos durante o Mundial. Também precisávamos de uma justiça assim, «à la minute» e sem contemplações.

A frase do dia

«Quer de facto o sr. cardeal patriarca medir pelo voto a influência da Igreja em Portugal? Pense bem», Vasco Pulido Valente, jornal «Público», 13 Junho 2010

Cheira a caso

Há no horizonte da selecção portuguesa uma sensação a caso. Nani chegou hoje a Lisboa e deixou escapar que dentro de uma semana pode estar recuperado. Como os médicos desta selecção nacional são mudos, continuamos sem saber qual é a lesão em concreto do jogador. Começa a dar a ideia que o alegado problema na clavícula é um alíbi para uma situação mais embaraçosa. Espera-se que não haja mais «paulas» ao virar da esquina.

Mundial de aviário

Mundial, dia 3. Poucos golos e futebol decepcionante. Para já, o que abunda são os «frangos». Ontem, o guarda-redes Green da Inglaterra sofreu um, daqueles com penas. Hoje, foi o seu colega argelino dar uma «cantada», como dizem os espanhóis. Dizem que a bola oficial é traiçoeira, mas não é de excluir o facto de as ensurdecedoras vuvuzelas desconcentrarem um santo, quanto mais um guarda-redes.

12 junho, 2010

A depressão tem um nome: Grécia

No final do Mundial veremos se o desempenho das selecções é proporcional à sua saúde económico-financeira. Então, o Brasil seria, certamente, o vencedor. A Grécia entrou a perder com os coreanos (do sul) e deve ter agravado a depressão de todo um povo. A única coroa de glória dos helénicos aconteceu aqui mesmo no nosso reduto, no agridoce ano de 2004. Quanto a Portugal, insisto, as expectativas são tão baixas que tudo o vier à rede é ganho. O caso Nani é mais uma intrigazinha doméstica para agitar as águas. Já se especula sobre um eventual caso de doping ou uma dispensa precipitada. Também nada pode surpreender os adeptos tugas depois da rebelião laboral de Saltillo em 1986.