09 março, 2010

O coleccionador de moedas

Logo depois da mórbida descrição de enterros, o passatempo predilecto dos jornais nacionais é esmiuçar a vida pessoal dos vilões da pátria. O último contemplado é Henrique Sotero, conhecido «urbi et orbi», como o «violador de Telheiras», pese embora ter feito vítimas em meia Lisboa. Sabe-se hoje que Henrique era «amante de numismática» e coleccionador de moedas desde pequenino, tendo chegado mesmo a administrar o maior forum da especialidade da internet. A exaustiva descrição do outro lado da vida dupla de Henrique é complementada com o detalhe de este ser benfiquista e de ter tirado alguns 19 durante a sua passagem universitária pelo Técnico.

08 março, 2010

Sede caviar

O Bloco de Esquerda inaugurou ontem a sua nova sede nacional, na Rua da Palma, ao Martim Moniz, em Lisboa. O antigo palacete, construído em 1876, antiga sede do extinto PSR, foi completamente adaptado aos tempos modernos, com a preocupação de manter o traço original do edifício. Painéis solares para microgeraçao de energia, um elevador próprio para permitir o acesso a portadores de deficiência motora, uma livraria, um bar e acesso a rede wireless de internet são condições proporcionadas pelos dirigentes do Bloco aos seus militantes. Este projecto, garante o BE, é o maior investimento financeiro do partido desde a sua fundação, tendo sido custeado com donativos de simpatizantes e por um empréstimo bancário. A avaliar pelas fotos publicadas hoje no «Metro», Louçã e seus pares têm um espaço de luxo para pensar como construir, dentro de 10 anos, «a esquerda maioritária em Portugal». Só se espera que, no caso de serem confrontados com algumas «bocas» da reacção sobre a qualidade das instalações, não façam como um advogado da nossa praça, assumidadamente da esquerda mais radical, que convidou uma jornalista a sair quando esta o questionou sobre os pequenos requintes do seu escritório, em pleno centro de Lisboa.

Muita política e pouco cinema

Há muito que a entrega dos óscares deixou de ser um espectáculo que prendia o mundo e que reflectia verdadeiramente a qualidade dos filmes a concurso. De há uns anos a esta parte as decisões do soturno júri que compõe a academia têm sido políticas e baseadas em interesses puramente comerciais. «Hurt Locker», vencedor de seis estatuetas, é mais um filme que não vai ficar para a história, apenas e só vai figurar na longa lista dos premiados. Aliás, desde 2005, com «Crash», que a academia não reconhece como melhor película um filme realmente merecedor do galardão. Kathryn Bigelow essa sim será recordada como a primeira mulher a ganhar o galardão para a melhor realizadora, derrotando o seu ex-marido, James Cameron, o responsável por «Avatar». Com este triunfo procura deixar-se uma palavra de reconhecimento para as tropas USA destacadas no Iraque, o pior é que são os próprios elementos do contigente não se revêem no filme, justificando com os inúmeros «erros tácticos» detectados no trabalho que os elementos americanos têm em desactivar engenhos explosivos.

Nevão histórico em Barcelona



Os deuses do tempo estão loucos. O anticiclone dos Açores insiste em posicionar-se longe do seu sítio e nem a proximidade com o Mediterrâneo afasta os fenómenos adversos de terra. Barcelona foi hoje palco de um nevão histórico, como há muito não se via. As praias de Barceloneta, a torre Agbar o Arco do Triunfo ganharam, por umas horas, uma inusitada tonalidade.

KO técnico

«Quando Cavaco fala sentimos um mau hálito político do lado de cá da televisão», Nuno Morais Sarmento, Diário Económico, 8 Março 2010

07 março, 2010

Contas de sumir

Diz o Vieira que os sócios não se devem assustar com os prejuízos do Benfica. Uma vitória no campeonato será a panaceia para qualquer descalabro financeiro. O vento sopra de feição para o empresário dos pneus. A malta quer mesmo é bola na rede.

Futebol, Fátima e manigâncias

Fontes bem informadas garantem-nos que a previsível vitória do Benfica no campeonato não figura em qualquer ponto do PEC que o governo apresentará amanhã às forças partidárias representadas no Parlamento. Mas a confirmar-se este facto, lá por alturas de Maio, quando acaba o campeonato, coincidindo também com a visita papal, é certo que o povinho vai andar distraído com os festejos e as amnistias de Sua Santidade. O momento perfeito para, adormecidos que vão estar as escutas socráticas, o Executivo aplicar truques orçamentais e outro tipo de manigâncias, termo muito em voga no léxico político.

A teoria e a prática

O handsome Passos Coelho, sempre bem assessorado por eminências sociais-democratas, umas pardas e outras menos pardas, acusa o PEC governamental de promover o aumento encapotado de impostos. O putativo primeiro-ministro de Portugal é capaz de ter razão. Veremos é se consegue fazer diferente quando chegar à cobiçada cadeira do poder.