19 novembro, 2009

Batota e irracionalidade

A vitória de ontem da França devia, teoricamente, unir o país, mas está a dividi-lo, suscitando forte debate em torno da identidade nacional, já para não falar do eventual conflito diplomático entre os governos gaulês e irlandês. Jornalistas, desportistas e políticos pronunciaram-se de forma distinta sobre o que se passou no Stade de France. «Estou envergonhado de ser francês. Somos uma nação de batoteiros», tem-se escutado nos múltiplos fórum promovidos por órgãos de comunicação social gauleses. Thierry Henry (herói ou vilão?) admitiu que jogou a bola com a mão, mas que não era o árbitro do jogo. Um prestigiado comentador televisivo, Thierry Roland, afirmou, sem papas na língua: «É um escândalo e uma vergonha. Foi uma sorte ter sido contra os irlandeses, porque caso fosse com outro país, mais quente, poderia ter havido mortos no estádio». Retenho, igualmente, a frase do antigo internacional irlandês e ex-jogador do Marselha, Tony Cascarino, provavelmente a opinião mais sensata, mas também a mais utópica: «As jogadas irregulares estão a matar o futebol e se Henry tivesse admitido perante o árbitro que ajeitou a bola com a mão e o golo tivesse sido anulado, teria ganho a admiração de todo o mundo do desporto. Como não o fez, a sua reputação ficará, para sempre, manchada».
Os adeptos do fair-play erguiam-lhe uma estátua, os irracionais «talibã» do futebol, bem como os patrocinadores e as televisões com interesses no Mundial da África do Sul, certamente que exigiriam a sua cabeça numa bandeja de prata.

Sem descanso

Pinto Monteiro diz que vai «decidir sábado aquilo que me compete decidir». O senhor PGR está a falar das gravações da «Face Oculta», claro está. Grande país este, em que o Procurador toma decisões de Estado a um sábado e um primeiro-ministro se licencia a um domingo.

Mudar para quê?



Agora que tanto se fala de corrupção, nada melhor do que apresentar este video, sugerido ontem à noite na RTP-N pela «Barbie» Amaral Dias. O «clip», chamado «Você quer mudar isso?», tem origem no Brasil, na ressaca do «Mensalão», mas apresenta algumas semelhanças com a realidade portuguesa. Moral da trama: basta acenar com umas notas e já está.

A estranha psicologia das massas e dos craques

As reportagens dos canais televisivos depararam-se com uma insólita situação: apenas 5 portugueses estavam no Marquês de Pombal a celebrar a qualificação para o Mundial. Longe vão os tempos das apoteoses nas principais praças do país e as bandeiras desfraldadas nas janelas. Por muito competente que seja Queiroz, e tem o mérito de ser o treinador que conseguiu o apuramento, precisamos mesmo é de um «Scolari» (coloquei as aspas de propósito) ou até um Blazevic para agitar as massas e os nossos craques de trazer por casa. Já estivemos apaixonados pela selecção, mas agora só gostamos dela. Apenas. Depois de Queiroz (e já agora Madaíl) ir embora, contratem, por favor, um técnico com umas luzes de psicologia.

18 novembro, 2009

A mão de Henry



Confesso que sempre tive uma pedra no sapato com franceses e italianos, muito por culpa dos jogos de futebol que ambas as selecções destes países ganham devido a favores dos árbitros ou em período de descontos. Esta noite recuperei essa espécie de ódio a gauleses com a escandalosa mão de Thierry Henry que acabaria por ditar o golo de Gallas, que qualificaria a França para o Mundial, eliminando a briosa Irlanda de Trapattoni. O árbitro e o fiscal de linha fizeram vista grossa. Com as novas tecnologias do Rui Santos, nada disto acontecia.

Os lusitanos derrotaram os bárbaros

Portugal venceu a batalha e a guerra psicológica contra os bárbaros bósnios. Não há razão para euforias, mas importa sublinhar que desde 2000 não falhamos a presença numa fase final de um mundial ou um europeu. Já temos reservado o nosso comprimido para arrebitar a auto-estima no próximo Verão, entre 11 de Junho e 11 de Julho. Depois entra logo Agosto. O Governo que prepare três meses de país em piloto automático. Já não se garante que a pior selecção portuguesa da última década, mesmo com Cristiano Ronaldo, permaneça muito tempo por terras sul-africanas.

Nós vamos ao Mundial!

Há noites felizes. Alberto da Ponte e Ricardo Salgado devem estar satisfeitos. A Sagres e o BES vão ao Mundial da África do Sul.

Já nem o segredo alimentar escapa

«Manuel Godinho já come bolachas contra diabetes», título de notícia no «Jornal de Notícias», 18 Novembro 2009