26 outubro, 2009

Popularidade divina

Os fenómenos não se explicam. Constatam-se, para de seguida tentar aferir as suas origens. Sobre José Rodrigues dos Santos importa referir, para começar, que é uma máquina de fazer dinheiro. Desde 2002, o jornalista/escritor já vendeu 800 mil livros. É obra. O seu sétimo romance, «Fúria Divina» acaba de esgotar em 48 horas. O tema, o Islão, é polémico, mas é a popularidade do «orelhas» que capta leitores. Imagina-se que o livro da Gradiva será uma das mascotes do próximo Natal. Começa a perceber-se porque é que Rodrigues dos Santos resistiu quando a administração da RTP, liderada por Almerindo Marques, o quis despedir. Parece que o homem pica poucas vezes o ponto, mas o «Telejornal» é sempre o mais visto quando é ele a dar a cara.

Lírica socrática

O verdadeiro poeta mora em S. Bento. Depois de ter citado Fernando Pessoa, o Primeiro-Ministro (re)empossado citou, no Palácio da Ajuda, Camões e a sua «ditosa pátria, minha amada». Comovente.

O dia de todas as mentiras

«Eu, abaixo assinado, afirmo solenemente pela minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas»

A luta continua

Os homens da luta irromperam na cerimónia de tomada de posse do novo governo. Um apertado cordão polícial impediu que os humoristas entrassem no Palácio da Ajuda, mas o forte berreiro ecoou em momento tão solene. Jel e Falâncio foram detidos. É a asfixia democrática.

25 outubro, 2009

Fora de forma

A formação do Governo não lhe deu descanso e o resultado está à vista. Sócrates fez hoje uma prestação desportiva abaixo do esperado nos 10 quilómetros entre Algés e São Julião da Barra, na Corrida do Tejo. Diz ele que passou a 1h25 da corrida a «conversar»...
«Tenho tido pouco tempo para treinar», mas «a verdade é que dez quilómetros fazem-se bem»», disse. «Agora quero sentir-me em forma», acrescentou, um dia antes de tomar posse.

Sem um pingo de polémica

Gerou-se um levantamento popular contra o anúncio do Pingo Doce. É um facto que a música e a respectiva cantadeira são um pouco irritantes, ainda para mais devido ao número de vezes que o spot passa na rádio e na televisão, mas creio que o debate, uma vez mais, é perfeitamente estéril. O anúncio é genuinamente português, popularucho se se quiser, e com muita vocação emigrante - até podia ser cantado pelo falecido Dino Meira. Mais uma vez, emerge a máxima que qualquer publicitário conhece desde muito cedo, «o importante é falar, mesmo que seja para dizer mal». O impacto está garantido.

A mascote

Governo que preze a imagem como valor primordial, tem sempre de contar no seu elenco com uma mascote. A escolhida chama-se Gabriela Canavilhas e vai sentar-se na cadeira do poder do Ministério da Ajuda.

Questão para esmiuçar

Os Gato Fedorento terminaram de esmiuçar nos sufrágios. Durante mais de um mês os bichanos, Ricardo Araújo Pereira à cabeça, marcaram a agenda com as suas entrevistas. Umas mais bem conseguidas, outras mais tiradas a saca rolhas. Apenas Cavaco e João Jardim evitaram o pleno político neste programa ao jeito do «Daily Show» de Jon Stewart. Ficou apenas uma inquietante dúvida: daqui para a frente vai ser possível distinguir entre um programa de humor que faz pretensas entrevistas políticas, previamente combinadas, e um programa sério que entrevista políticos?