01 outubro, 2009

A vida que o major escolheu

Não se confirma que os supermercados «Modelo», propridade de Belmiro de Azevedo, estejam envolvidos na campanha de proximidade cultural e artística desenvolvida por Valentim Loureiro em Gondomar. Depois do episódio dos electrodomésticos aquando da sua primeira candidatura à câmara, o major anda a oferecer aos munícipes bilhetes, à borlix e em mão, para o concerto do grande Tony Carreira, a poucos dias do acto eleitoral, no dia 11. A loucura é tanta que o espectáculo foi transferido do Multiusos de Gondomar, mandado inaugurar pelo major, para um descampado que pode albergar três ou quatro vezes mais espectadores. A oposição classifica este acto como «a sul-americanização absoluta da política, fazendo de Gondomar uma república das bananas». Valentim encolhe os ombros e argumenta não ter culpa que as festas do concelho coincidam com as eleições.

Ideais pouco olímpicos

Copenhaga parece que está a acolher uma cimeira do G-20. Amanhã, ao final da tarde, Jacques Rogge, o presidente do Comité Olímpico, vai revelar a anfitriã dos Jogos Olímpicos 2016. Chicago, Tóquio, Rio de Janeiro e Madrid , são as cidades candidatas. Todos os chefes de Estado e de governo estão na Dinamarca para participarem no habitual jogo de bastidores. Ninguém quer desperdiçar a oportunidade de acolher um dos maiores negócios do Planeta, cada quatro anos. Michele e Barack Obama, deixaram tudo no «states» para se deslocarem fisicamente ao norte da Europa para pressionarem o voto dos delegados na cidade de Chicago, onde até há pouco tempo trabalhavam. Corre o rumor de que existe um comércio de votos em curso, tendo a França assegurado que os seus votos irão direitinhos para a candidatura brasileira. Com tanto atropelo aos ideais olímpicos, o barão Pierre Coubertin já teria dado dúzias de voltas em sinal de desespero ao seu túmulo. Chicago e Rio levam ligeira vantagem. Veremos se quem leva a melhor: o petróleo brasileiro ou o charme dos Obama?

Jornais incaracterísticos e sem cor

Sou dos que acha que a imprensa portuguesa prima pela falta de transparência e exagera nos biombos. Por cá, apoia-se um político, mas de forma velada, quando seria muito mais sensato, a começar pelo cultivar da relação de confiança com os próprios leitores, revelar inclinações e preferências de cor partidária, como acontece em Espanha e Inglaterra, por exemplo. Foi precisamente em terras de Sua Majestade que o «Sun», o jornal mais vendido além-Mancha com 3 milhões de exemplares diários(!!!), tomou partido público, pela primeira vez, em 12 anos pelo candidato conservador, David Cameron, em detrimento do primeiro-ministro Gordon Brown. «Após 12 anos no poder, o governo perdeu-se. Agora, também perdeu o The Sun», escreveu o jornal do magnata Rupert Murdoch na edição de ontem. Clarinho como água. Não creio que será por esse apoio que o «Sun» vai ver descer as suas vendas ou Cameron vá ser eleito primeiro-ministro. Em Portugal, ainda reina o preconceito e um enorme temor de declarar apoios, quer seja na política, quer seja no futebol.

A tarde das facas longas

O Presidente e o secretário-geral do PS encontram-se esta tarde, às 15h15 (mais um preciosismo) no Palácio de Belém. Esta podia ser, ao melhor estilo da «Contra-Informação», a conversa entre ambos:
Cavaco Silva - Não sei se o insulte, se o despreze, senhor Primeiro-Ministro eleito.
José Sócrates - Não sei se lhe chame «força de bloqueio» ou «fabricante de encomendas», senhor Presidente.

30 setembro, 2009

Política na lama

Ao passar os olhos pelas manchetes e pelas escolhas fotográficas da imprensa da manhã, chega-se à conclusão que Cavaco está a ser «linchado» mediaticamente. Provavelmente, com razão. Estamos de regresso ao «pântano» que Guterres e Barroso evitaram, com retiradas estratégicas para o estrangeiro. Veremos qual dos dois, PM ou PR, que fica atolado no lamaçal da política à portuguesa. Ao povinho só resta assistir na primeira fila às diatribes políticas e ir sobrevivendo às agruras do dia-a-dia.

29 setembro, 2009

Declaração de impotência e derrota

Após mais de 40 dias de estranho silêncio, Cavaco despejou o saco sobre o tema das escutas. O registo empregue pelo Presidente nesta «declaração à comunicação social», em horário nobre para o povo ver, foi de todo atípico para um Chefe de Estado. Cavaco falou em «manipulações», «mentiras» e tentativas de o «colarem» ao PSD, atacou fortemente o partido do governo, na pessoa dessas insignificâncias chamadas José Junqueiro e Vitalino Canas, mas ficámos com sensação que o ex(??)-assessor Lima (afinal, parece que ainda circula nos mentideros da Presidência) esteve mesmo a «manipular» um jornalista do «Público» para escrever determinada notícia. Sucede que, como justificou repetidamente o PR, ninguém está autorizado a falar em seu nome, logo a notícia divulgada sobre as alegadas escutas é uma falsidade.
Três conclusões:
- A «guerra civil» entre S. Bento e Belém prossegue dentro de momentos.
- Salvo imprevisto, Manuel Alegre já pode pensar na decoração do palácio rosa a partir de 2011.O Sócrates promete ajudar.
- Com actores deste nível, o país é, de facto, politicamente ingovernável.

Frase vencedora do prémio «Tás aqui, tás a levar outro processo»

«Sócrates, o negociador? Isso seria como pedir ao Conde Drácula: 'A partir de agora, só sumos naturais, se faz favor», João Miguel Tavares, jornalista que tem um processo em tribunal movido pelo Primeiro-Ministro, in "Diário de Notícias", 29 Setembro 2009

O inventor da «inventona»

Depois da urdidura e da cabala, o «clone» socrático inventou a «inventona», para caracterizar o «Watergate» dos pastéis de Belém. Diz a SIC que o vocábulo não existe no dicionário. Por via das dúvidas, oiça-se o professor Malaca Casteleiro.