21 setembro, 2009

O que fazer quando o cavaquismo se desmorona?

O que parecia impossível acontece. Cavaco Silva mandou um dos seus eternos homens de confiança para o olho da rua. Fernando Lima, o assessor que alegadamente fazia «encomendas» para os jornais, foi substituído como assessor de imprensa do Palácio de Belém. Começa a descobrir-se que alguns dos braços direito do Presidente, como é o caso de Dias Loureiro ou do próprio Lima, afinal são tudo menos bons rapazes. E perante o avolumar da bola de neve, também se começa a temer pela seriedade de Cavaco.

20 setembro, 2009

«Sócrates é fixe»

O «pai da pátria» fez a sua aparição na campanha eleitoral esta tarde, no Porto, para dizer aos jovens e aos graúdos que «Sócrates é fixe!», em alusão ao slogan que norteou a corrida presidencial que Soares venceu em 1986, e apelidar Ferreira Leite de «fanática». Se na altura a música oficial era o «Rock da Liberdade», interpretado por Rui Veloso e com letras de António-Pedro Vasconcelos, para este momento era apropriado uma canção chamada «Rock da asfixia democrática».

Segredos mal estimados


É (ainda) um dos segredos bem guardados da cidade de Lisboa, fruto do trabalho de recuperação dos miradouros do incansável vereador «Zé», mas como não somos invejosos gostamos de partilhar com quem merece. Chama-se jardim Botto Machado e fica junto à Feira da Ladra, no Campo de Santa Clara, com uma panorâmica invejável para o Panteão Nacional e o rio Tejo. Dois alertas: evite a visita às terças e aos sábados, dia do «el rastro» lisboeta e tenha paciência com a habitual lentidão dos empregados da esplanada e com a sua falta de jeito para tirar um café em condições. Mas como diz o outro: haja saúde!

Não me interpretem mal

O sorriso rasgado e a pose de estadista na primeira página do «DN» não enganam. Uma entrevista dominical para reforçar as qualidades do querido líder. No essencial, mais do mesmo, excepto na página em que Sócrates fala do seu lado mais privado. Confessa que «compra a própria roupa», mas recebe os «conselhos na namorada», uma referência que fica sempre bem. Sobre os gostos musicais destaca um grupo e uma música com mais de 20 anos, os Pretenders e o célebre hit da banda da vocalista Chrissie Hynde, «Don't get me wrong». A canção não parece escolhida ao acaso. Deduz-se que os erros destes 4 anos de governação foram meras falhas de interpretação.

19 setembro, 2009

A frase do dia

«Este clima de medo e de intimidação nunca existiu em Portugal desde o 25 de Abril e é de facto uma obra e um legado do engenheiro Sócrates (...) O primeiro-ministro ontem fez um ataque ao director do Público absolutamente inacreditável. Não há nenhum país da Europa onde isto aconteça. Isto só na Venezuela e com Chávez é que acontece», Paulo Rangel, Agência Lusa, 19 Setembro 2009

Quem nos acode?

Fizeram juras de amor eterno e aos sete ventos disseram que gostavam muito de trabalhar um com o outro. Como naquelas paixões intensas que se vão degradando com o tempo, a «cooperação estratégica» está a descambar para ódio e viganças mútuas. O grande drama de Cavaco e de Sócrates, quase semelhante ao daqueles casais que se separam e depois como não conseguem vender a casa têm de coexistir debaixo do mesmo tecto, é que provavelmente vão ter de se gramar, pelo menos, até 2011. Com o Governo e a Presidência em guerra aberta, não declarada, restaria esperar pela instituição parlamentar, também ela numa decadência confrangedora. Quem nos acode?

Segredos leva-os o vento

Interessantes e oportunas as declarações do presidente da Associação Sindical da PJ (ASFIC/PJ), Carlos Anjos à Lusa. O sindicalista diz que Portugal é dos países onde se faz menos escutas na Europa», acontece que o problema é que «somos o povo mais desbocado que existe, ninguém consegue guardar um segredo e toda a gente conta tudo a toda a gente», acrescentou, considerando que no caso do jornal Público «não houve ninguém sob escuta. O que aconteceu, como é normal, é que alguém passou a informação cá para fora». Elementar, meu caro Watson!

A gataria esmiúça as audiências

Quem diria: os políticos portugueses «reabilitaram» os Gato Fedorento no seu regresso à televisão. Os serões a «esmiúçar os sufrágios» têm quase sempre roçado os 2 milhões de telespectadores, ontem chegaram mesmo a ultrapassar a audiência do jogo do Benfica, com um share próximo dos 50 por cento, o que significa que quase metade dos portugueses estão diante do televisor sintonizados na SIC. A TVI continua a deslizar pela encosta abaixo, com a «grande repórter» Moura Guedes num canto da redacção e o novo «boss», Juca Magalhães, disposto a «acabar com a intrigalhada» em Queluz.