08 março, 2009

Temor reverencial

Os critérios jornalísticos e a postura da pivô são altamente discutíveis, mas a verdade é que o Jornal da Noite de sexta-feira da TVI foi o mais visto da semana, com 1 milhão e 300 mil espectadores de média, tendo atingido o pico às 21h26, com 1 milhão 798 mil fiéis espectadores ligados, quando passou a peça do palavrão do deputado social-democrata. Os sinais desta sondagem são contraditórios e de dupla interpretação: se por um lado a maior parte da população gosta de ver o outro lado das notícias, mesmo com abordagens miseráveis, o facto é que os estudos de opinião não têm penalizado assim tanto o governo e o primeiro-ministro, os principais visados dos telejornais da «quatro». Em entrevista ao «CM», Manuela Moura Guedes conta as «negas» que tem levado de ministros socialistas para se sentarem à sua frente nos estúdios de Queluz. O medo é tanto que até a secretária de Estado das Obras Públicas deu «corte». Se não houver mais ninguém para convidar, talvez o Afonso Candal lá queira ir explicar como enervar um deputado da oposição em três tempos e ser insultado de seguida.

07 março, 2009

A escalada

É perigosa a banalização dos sucessivos incidentes parlamentares. Primeiro foi a debandada dos deputados para fim-de-semana, faltando a uma votação, depois o sonoro «palhaço» e, o último capítulo, o não menos intenso «vai para o c...». Já se diz na net que foi das coisas mais sinceras que aconteceu em S. Bento. Admite-se que sim. Mas grave é quando um país e uma população há muito deixa, irremediavelmente, de acreditar nos seus eleitos. É o que acontece. Sem consequências e sem penalizações. O que se seguirá? Uma escalada de acontecimentos, com cenas de pancadaria como temos visto nos parlamentos de Taiwan ou nas evoluídas democracias sul-americanas?

A frase do dia

«O "Magalhães" é o maior assassino da leitura em Portugal», António Barreto, sociólogo, revista «LER», 7 Março 2009

06 março, 2009

Políticos «verdes»

Peter Mandelson, o ministro do Comércio britânico, foi esta manhã brindado na face e na indumentária com uma mistela verde, por parte uma activista de um grupo chamado «Plane Stupid», que protestava contra o alargamento do aeroporto de Heathrow, em Londres, para três pistas. Mandelson entrou, rapidamente, no hotel do evento que se realizava naquele momento e em poucos minutos, de cara lavada e gravata nova, já estava a dar entrevistas para as televisões. Um verdadeiro político profissional. Dos tais que sobrevive sempre. Sem estar a instigar nada, uma boa ideia para a Quercus utilizar num dos seus próximos protestos.

Tendências da moda social-democrata

As consultoras de imagem estão a funcionar no PSD. Manuela Ferreira Leite não largou os óculos escuros durante a tarde de ontem. Veremos se os adereços visuais da senhora conseguem marcar as tendências da moda como o fizeram as gravatas e os fatos Armani do Sócrates.

05 março, 2009

«Musicjacking»

Para grandes males, grandes remédios, lá diz o povo. Fiel a esse aforismo popular, o produtor musical Tozé Brito, defendeu hoje que o governo faça um acordo com as operadoras de telecomunicações para vedar o acesso à internet a quem descarregue músicas ilegalmente. Diz ele que é meio caminho andado para o «fenómeno desaparecer».«Quando isso começar a suceder as pessoas pensam duas ou três vezes antes de fazerem 'downloads' ilegais», sublinhou, frisando que, embora a repressão judicial não seja o melhor caminho, «a prisão de meia dúzia de pessoas que agem ilegalmente, de forma sistemática, também teria efeitos positivos». Mais polícias e mais cadeias para tomar conta de uns milhares de pequenos vândalos informáticos? Reconheço que estão a estragar o negócio ao Tozé Brito, segundo o próprio a venda de CD's e DVD's caiu para metade, mas colocar em prática estas ideias é um perfeito delírio. «Roubar uma música é igual a roubar um carro», dramatizou, ainda mais, Tozé Brito. Uma espécie de «Musicjacking».

Deputados com falta de...trabalho

Já se sabia que o Parlamento não era um local muito bem frequentado - há umas semanas ouviu-se um sonoro «palhaço» vindo de uma das bancadas - mas a avaliar pelo que se passou esta tarde no plenário, dentro em breve a criancinhas vão passar a ficar à porta. Num dia em que se debatiam energias renováveis e painéis solares, os deputados do PS, Afonso Candal e do PSD, José Eduardo Martins, envolveram-se numa azeda troca de argumentos, com o primeiro a deixar no ar que o ex-secretário de Estado do Ambiente tinha «interesses» na venda de certos equipamentos. Palavra puxa palavra e a dialéctica resvalou para o insulto. A TVI mostrou por duas vezes que José Eduardo Martins mandou Afonso Candal «trabalhar», no mais elementar vernáculo («vai para o c.....», se me faço entender), tendo, de seguida, aconselhado o deputado a «baixar a bolinha». Uma verdadeira escola de boas maneiras este Parlamento. Não é possível, vendo as imagens da disputa verbal, instaurar um «sumaríssimo» ao prevaricador como se faz no futebol?
Desconhece-se o que o «peixe de águas profundas», Gama, tem a dizer sobre isto. Provavelmente, o costume. Nada.

O poder tira anos de vida

A imprensa e a blogosfera americana estão preocupadas com o súbito envelhecimento de Obama. Dizem que o stress provocado pela campanha e os 40 dias que leva na Casa Branca fizeram disparar o seus cabelos brancos (foto à esquerda, já de 2009, em comparação com a foto da direita, datada de 2007). «São tão agitados os tempos que correm que o nosso jovem presidente ficou "branco" em apenas seis semanas?», pergunta com ironia o «Washington Post». Pelos vistos o poder, para além da vertigem, também tira anos de vida. Que o diga Sócrates e a sua branca cabeleira e expressivas rugas.