11 novembro, 2010

A obsessão de Balsemão

Parece que a Impresa, de Pinto Balsemão, quer despedir cerca de 20 trabalhadores. Em tempo de crise, a acusação do Sindicato dos Jornalistas é forte. Não é que o grupo do Expresso, da SIC e da Visão esteja em situação económica difícil. Quer apenas fazer face a uma diminuição dos lucros. E com isso manda duas dezenas de pessoas para a rua, fazendo com que sejam os contribuintes a arcar com as quebras na publicidade do grupo do Dr. Balsemão.
A obsessão do ex-primeiro-ministro com os lucros da publicidade é, aliás, antiga...
Há uns anos, com Carlos Barbosa - que antes de se ir exibir para a direcção do Automóvel Clube de Portugal, foi dono do Correio da Manhã -, e mais uma vez em nome do lucro, deram uma forte machadada na saúde dos jornalistas. Os dois patrões resolveram então acabar com o 1% de publicidade que as empresas de comunicação entregavam à Caixa dos Jornalistas, ajudando a descapitalizar a dita – que entretanto Sócrates encerrou.
Esquecem-se que quem lhe ganha as massas da publicidade é o trabalho dos jornalistas (e não só) mas quem fica com os lucros da dita tem de ser o patrão.

Morreu o «senhor do adeus»

João Serra, ou simplesmente o «senhor do adeus», morreu ontem aos 80 anos. Quem vive em Lisboa, cruzou-se, certamente com esta personagem que todas as noites vinha para as principais artérias da capital, nomeadamente na zona do Saldanha, acenar aos automóveis que passavam.
Pode parecer idiota, mas as cidades também são feitas destes aparentemente tontinhos. A avaliar por este blog o «senhor do adeus» possuía uma cultura cinéfila invejável. Já não peço um nome de rua, mas será que António Costa tem arte e engenho para erigir uma estátua simbólica de homenagem a João Serra no Saldanha?

10 novembro, 2010

Vitória e rua

A imprensa espanhola continua rendida ao «showman» Mourinho. Mais uma vitória retumbante para a Taça do Rey, 5-1 diante do Murcia, e uma expulsão por desconsideração ao árbitro da partida: «Vai à merda», disparou Mourinho ao juiz. Rua. Os juros da dívida portuguesa não cessam de subir, tal qual a cotação do treinador português na bolsa de valores do futebol mundial.

A agência da coscuvilhice

Diz-se que ninguém se entende na Agência Lusa. Jornalistas e direcção andam às turras e no dia 24 vai mesmo, haja o que houver, haver greve. O desnorte parece total a avaliar pelo take que a Lusa mandou para a «linha» esta tarde, o qual transcrevemos de forma parcial, e em que o órgão de comunicação social do Estado faz eco de uma disputa judicial entre pai e filho que só teria lugar nas páginas de um jornal sensacionalista ou numa revista do coração.
Lisboa, 10 Nov (Lusa) - O filho do ex-selecionador António Oliveira afirmou hoje que aguarda com "total serenidade" a abertura de um processo pelo pai por causa de declarações efetuadas após a expulsão do 'reality show' da TVI "A Casa dos Segredos".
Em comunicado endereçado à agência Lusa, Vasco Oliveira revela que é com "total serenidade" que aguarda que "seja intentada queixa-crime" pelo pai, e que "em sede própria" o ex-concorrente do programa de televisão "apresentará a sua defesa".

Forniquem-se, assim sucessivamente



As gazetas assinalam uma efeméride: passam 10 anos sobre o dia em que o cineasta João César Monteiro mandou as más línguas irem fornicar, reiteradamente, «e assim sucessivamente», aos microfones de duas jornalistas de tenra idade. Com ou sem sobretudo em cima da câmera durante a filmagem de «Branca de Neve», com ou sem subsídio de Carrilho, às vezes apetecia mandar muita desta gente reles e sem escrúpulos que nos governa para um sítio feio. Só com bilhete de ida.

Anda tudo ao mesmo

Estudo: Portugueses gostavam de receber dinheiro no Natal

As compras de Natal dos portugueses prometem ser mais racionais. Segundo o estudo Xmas Survey 2010 da Deloitte, as prioridades na hora da compra centram-se na utilidade dos presentes (98% dos portugueses), na necessidade de reduzir o montante gasto (96%) e na procura do melhor preço (94%). A prenda que os portugueses preferiam receber este ano é dinheiro (61%), seguido de roupa/calçado (60%) e de livros (57%). “A vontade de receber dinheiro sobe três lugares na tabela de preferências face aos dados de 2009”, refere o estudo.

09 novembro, 2010

Horror à crítica

Berlusconi apela a que os italianos não leiam jornais. Jardim, se pudesse, acabava com o único órgão de comunicação social madeirense com influência junto da população, o «Diário de Notícias» insular, propriedade da maldita família Blandy. Hoje, o presidente do Marítimo, Carlos Pereira, terá, alegadamente, agredido um jornalista daquela jornal por, também alegadamente, discordar da análise feita pelo repórter no jogo Marítimo-Leiria. O director do DN madeirense culpa Jardim por «instigar publicamente os adeptos do Marítimo a revoltaram-se contra o diário». Isto já era «far west» mas passa a ser comédia quando o clube do Funchal se nega a passar credenciais aos jornalistas daquele jornal, obrigando-os a comprar bilhete para fazerem o seu trabalho nas bancadas do estádio dos Barreiros, lado a lado com os sócios do Marítimo. Não dá sinais de renovação o miasmático ar que se respira na ilha. Não há ninguém corajoso que faça uma corrente de ar?

Encontro imediato de terceiro grau

Lisboa. Pouco antes das 9 da manhã de hoje. Numa pastelaria do Campo Pequeno, o eterno assessor de Cavaco, Fernando Lima, e o eterno vereador das finanças da Câmara de Lisboa, Fontão de Carvalho, tomavam o café da manhã, separados por dois metros. Não se confirma que tenham falado, cumprimentado ou trocado olhadores. «Les beaux esprits se rencontrent».