19 maio, 2009

A agenda do bastonário

Quando Marinho e Pinto foi eleito Bastonário da Ordem dos Advogados, José Miguel Júdice, um dos seus antecessores, disse que o ex-comentador da SIC tinha a ambição política de chegar um dia a Presidente da República. Essa declaração foi vista como uma graça. O ano e meio que leva de mandato tem sido o espelho da sua personalidade, ou seja, controverso. É parecido com AJ Jardim, em 10 frases, diz oito que são grandes verdades, mas com um estilo de intervenção que cria urticária. Quis «limpar» os vícios instalados dos anteriores bastonários e dos seus apaniguados que ainda resistem pelos conselhos distritais, mas vê-se rodeado de críticos que o acusam de prepotência. O Orçamento da Ordem continua por aprovar. Enquanto vai sobrevivendo, como pode, Marinho e Pinto prossegue a operação de charme ao PS. Depois da «cabala» da Casa Pia, defende que o Freeport é um «cozinhado», utilizando, inclusive, o órgão oficial da Ordem para fazer passar essa mensagem. Parece que o bastonário tem, em paralelo com o seu papel de representante dos advogados portugueses, uma agenda política. Veremos até quando vai conseguir segurar um lugar que foi alcançado com a mais ampla votação de sempre da instituição.

Uma história como tantas outras...

«As férias de nove dias em Itália tinham sido preparadas ao pormenor. A descoberta de Roma e, em especial, a visita a Florença tinham superado as expectativas. Mas a viagem não iria terminar sem uma desagradável surpresa: o cancelamento, sem qualquer aviso, do voo da TAP que os iria trazer de regresso a Lisboa. Nuno Silva e a amiga foram obrigados a pernoitar nos bancos do aeroporto de Fiumicino, sem direito a comida ou a qualquer outro tipo de atenção por parte da companhia aérea que, na tarde e noite de 5 de Maio, não tinha ninguém que a representasse no aeroporto.
Nuno e a amiga chegaram ao aeroporto pelas 15.30 horas, antecedência mais do que suficiente para fazer o check-in no voo TP 843, com partida marcada para as 19 horas. Mas, para sua surpresa, os dois balcões da companhia estavam fechados e o voo nem sequer constava da lista de partidas.
Dirigiram-se ao balcão de informações, onde foram encaminhados para um balcão que congrega várias companhias aéreas, entre elas a TAP e a Iberia. “Esse voo foi cancelado há cerca de um mês”, respondeu-lhes uma funcionária. Ninguém os avisara do cancelamento, nem por telefone, nem para o email utilizado para fazer as reservas (os bilhetes foram comprados através do site edreams). “Mortinhos por chegar a casa”, os dois amigos não tiveram outra alternativa a senão esperar pelo primeiro voo do dia seguinte (o TP835, com partida às 6.20 horas). Dormitaram nos bancos do aeroporto, lado a lado com os mendigos, e ainda foram abordados pela polícia. Inconformados com o tratamento, estão a preparar uma queixa à TAP.»
in 'Jornal de Notícias', 19 de Maio 2009

História das orgias

Estamos todos nas mãos das novas tecnologias. Os que hoje elogiam a forma como a perturbada professora de Espinho caiu na cilada de uma aluno, que munido de um gravador captou as esquizofrénicas palavras da docente de História, podem amanhã sucumbir numa armadilha semelhante. É a velha questão, cada vez mais actual, da legitimidade de uma gravação à sucapa de uma conversa, mas que não era, obviamente, do foro privado. Depois do lamentável episódio do «Dá-me o telemóvel», que provavelmente já ninguém se lembra, este pode ficar conhecido como «a professora de História das orgias».

Mafia à portuguesa

Dois indivíduos, não identificados, abordaram hoje o advogado Dias Ferreira, junto ao seu escritório, na Av. A A Aguiar, em Lisboa e terão aconselhado o membro do Conselho Leonino a desistir da sua pretensão de se candidatar à presidência do Sporting, para além de outros mimos e empurrões. Devido aos interesses que movimentam, a dinâmica dos clubes portugueses e dos seus simpatizantes está cada vez mais parecida com a mafia. Para a cópia ser igual ao original, só falta mesmo dar o tiro de misericórdia, à boa maneira siciliana.

18 maio, 2009

A ditadura da fertilidade

Um livro lançado em Espanha afirma que o ditador Francisco Franco, que liderou o país vizinho de 1939 a 1975, tinha apenas um testículo, na sequência de um acidente numa batalha, tal qual aconteceu com Adolf Hitler. A afirmação é parte integrante do livro do historiador espanhol, José Maria Zavala, e pertence à neta do urologista do «generalíssimo». Sobre o «nosso» Salazar é que nada de novo sobre o seu lado mais pessoal e intransmissível. Mas a avaliar pelas mostras de garanhão natural do Vimieiro nas mais recentes séries televisivas, é bem provável que, pese embora não lhe sejam conhecidos descendentes, as notícias a esperar não sejam sobre algum handicap de fertilidade.

O «Tony Blair» conservador

David Cameron, o líder da oposição na Inglaterra, desafiou o primeiro-ministro Gordon Brown a antecipar as eleições gerais, no seguimento das sucessivas denúncias de escândalos sobre o uso inapropriado de subsídios públicos que tem salpicado os trabalhistas. A opinião pública está indignada e o «Tony Blair» conservador quer aproveitar o facto de Brown estar «contra as cordas», com um atraso praticamente irrecuperável nas sondagens. «O sistema político no Reino Unido, desde o primeiro-ministro até abaixo, está simplesmente paralisdo», disse Cameron. Por cá, o fartar vilanagem também prossegue. Com a diferença que a nossa líder da oposição não tem muitas razões para pedir eleições antecipadas. Tomara ela ir a votos e estar viva, politicamente falando, lá para Novembro. A menos que o «espírito de Bilderberg» lhe tenha dado um novo «élan» conquistador. A ver.

17 maio, 2009

Eça é que é essa!

«O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Nao há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia», Eça de Queirós, Maio de 1871, frase que integra o livro do economista Vitor Bento, «Perceber a crise para encontrar o caminho», publicado em 2009.

Um «frete» muito íntimo

Os assessores do Primeiro-Ministro escolheram a «Notícias Magazine», a revista com mais leitores do país, publicada com o DN e o JN de domingo, para darem seguimento ao processo de humanização de José Sócrates. Acompanharam-no numa das suas inúmeras deslocações pelo país, chamando à reportagem o lado «íntimo» do líder do governo, o tal que corre em nome de causas e que não dorme por causa do desemprego. Mais um «frete» de dois jornais com responsabilidades. Um deles, o JN, tinha há uma semana feito uma entrevista de fundo com Sócrates. Nada acontece por acaso.