24 janeiro, 2009

Marcelo na corda bamba

Corre, com cada vez maior insistência, o rumor que a RTP não renovará o contrato, que termina em Abril, com Marcelo Rebelo de Sousa para o programa «As escolhas de Marcelo». A homilia social-democrata do professor é, frequentemente, ultrapassada nas audiências pela homilia socialista de António Vitorino, às segundas-feiras. A confirmar-se este cenário, Marcelo ficará livre para outros voos políticos. Para seu substituto, recomendamos aos «chefes» do canal do Estado, José Fragoso e José Alberto Carvalho, «as escolhas de...Alberto João Jardim». No mesmo dia, no mesmo horário e, why not, com a mesma moderadora, só que a partir da Quinta Vigia para o resto do mundo. Era um fartote de riso todos os serões domingueiros assistir aos dislates do homem que «adora bater no primeiro-ministro».

23 janeiro, 2009

Acossado

A TVI e o «SOL» avançam que o ex-ministro do Ambiente de Guterres, e actual Primeiro-Ministro, estará «implicado no pagamento de luvas em troca do licenciamento do Freeport». Sócrates e o seu gabinete reagem, céleres, ao desfiar do novelo. A lição do caso da licenciatura está bem presente no seu espírito. Crescem as suspeições. Primeiro um tio desbocado. Agora, um primo que quer contrapartidas por um negócio. Relações perigosas. Cabala ou não, isto começa a cheirar mal.

A frase do dia

«Fazer política em condições de normalidade é como navegar com GPS, mas esta crise não vem nos livros. Temos de nos guiar pelas estrelas. O problema são as nuvens», Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças, Agência Lusa, 23 Janeiro 2009

22 janeiro, 2009

A mácula

Há já algum tempo que andamos a «bater no ceguinho». Não uma, não duas, não três, não quatro. Mas por cinco ocasiões, alertámos para o que aí vinha no «Caso Freeport». É, de facto, uma coincidência que o assunto volte a ganhar força a poucos meses de eleições, ainda por cima, depois do Ministério Público ter reiteradamente afirmado desconhecer qualquer evolução digna de registo, mas não deixa de ser igualmente intrigante que o nome do actual Primeiro-Ministro volte a ser referenciado. As buscas efectuadas no escritório do tio materno de Sócrates constituem a cereja no topo do bolo que faz deste caso uma enorme incógnita. Na opinião pública, poucos esquecem a trapalhada que foi o escândalo da licenciatura do Primeiro-Ministro na defunta Universidade Independente. Esse, foi o momento de maior apuro nos quase 4 anos de legislatura. Sócrates e o seu executivo não resistiriam a uma segunda mácula chamada «Freeport» que, por outro lado, podia ser o balão de oxigénio para um PSD à deriva.

Esta história dava um filme

Em Lisboa, tudo se converte em polémica. Desta feita, mais uma dicussão estéril. Depois das ruidosas corridas de Fórmula 1, Avenida acima e abaixo, agora é a vez dos ambientalistas contestarem o stress e o frio a que estão expostas as pobres vaquinhas na Praça de Espanha, na campanha promovida pelo turismo açoriano.
Mas nem tudo é mau pela capital. Uma boa notícia. 25 anos depois, reabriu o Cinema Alvalade, na Avenida de Roma, propriedade da cadeia de cinemas do Campo Pequeno e Beloura, por exemplo. Dizem que vão passar filmes alternativos/independentes e apostam em ser um cinema «de rua», em detrimento do que existe nas grandes superficies. Não sabemos se há pipocas, mas teme-se que sim.

Aconteceu na América

Obama tem razão: a América é o país onde é tudo possivel. O melhor: Timothy Geithner, o secretário do Tesouro indigitado, a braços com o escândalo de ter fugido aos impostos em 50 mil dólares, humilha-se diante dos membros do Senado, pede desculpa e faz o seu acto de contricção pela conduta inapropriada. Remédio santo. Não cairá em tentação.
O pior e, de alguma forma, a contradição com o anterior caso: a obsessão legalista que faz com que o presidente Obama seja obrigado a repetir o juramento solene, um dia depois, por uma inadvertida troca de palavras na posse. Na terra onde tudo é possível, provavelmente Obama teve medo de algum impeachment...

Proposta decente e democrata-cristã

Não é novidade para ninguém. Paulo Portas é um «olheiro» de primeira água na caça de talentos políticos. Um perfil publicado hoje na revista «Sábado» sobre Assunção Cristas, a nova vice-presidente do CDS, revela que Portas «descobriu» a docente universitária durante um debate do «Prós e Contras» sobre o aborto. Vidrado na argumentação da senhora, Portas conseguiu, por portas e travessas, o contacto de Assunção e por volta das duas da manhã, (como sabem Portas e Marcelo são os portugueses que menos horas dormem por noite) enviou um SMS à senhora (ao melhor estilo Cristiano Ronaldo, mas sem propostas indecentes), elogiando a sua performance televisiva. Um café romântico no «Linha d' Água», junto ao El Corte Inglés selou a empatia. O «namoro» político, prossegue e, pelos vistos, com êxito. Com uma condição: Assunção pediu a Paulo para não convocar reuniões do partido para o fim da tarde. Não é tarefa fácil cuidar de três petizes com 3, 5 e 7 anos.

Ironia sem abrigo

Retive esta informação recentemente, a propósito das reportagens de Natal publicadas na imprensa. Uma das maiores densidades populacionais de sem-abrigo da capital, cerca de 50, está sediado junto às arcadas do Ministério das Finanças. Pernoitam por ali todas as noites. Ironia das ironias.