17 junho, 2011

Um Governo em 4x4x3

Terminou a ansiedade. Foi divulgada a constituição do «11» base do governo de coligação, que vai jogar num sistema 4 (PSD) x 4 (Independentes) x 3 (CDS), num momento em que se pede exigência e combate. A equipa é maioritariamente jovem, com vários rookies na equipa-base, mas os do «aparelho» dos dois partidos por lá se mantêm, nunca sendo relegados para o banco de suplentes. A equipa técnica mista, liderada por Passos Coelho e Paulo Portas, escolheu para «carregador de piano» das Finanças um desconhecido da opinião pública, Vítor Gaspar, vindo directamente de Bruxelas para a titularidade e para «exterminador» de serviço na área da saúde o ex-homem forte do fisco, Paulo Macedo. Está visto que não vai ficar pedra sobre pedra no Serviço Nacional de Saúde. Extinguir a Cultura não é propriamente um escândalo porque esta pasta já há muito que era virtual. Com expectativa aguardam-se as performances da «quota» democrata-cristã: Mota Soares é encafuado para a solidariedade e segurança social, enquanto Assunção Cristas, a grande revelação da política portuguesa dos últimos anos, vai acumular agricultura, mar, ambiente e ordenamento de território. Só faltou mesmo dar-lhe o pelouro dos bordados e rendas de bilros. Para uma jurista e académica até há 2 anos, será um trabalho hercúleo e de rápida adaptação. Utilizando a metáfora futebolística, é o mesmo que improvisar para ponta-de-lança um lateral de raiz. E está feita a antevisão da partida da vida para esta gente. Tudo ao molho e fé em Deus. Ou como diria o saudoso seleccionador nacional, José Torres, «deixem-nos sonhar». Pode ser que haja um Carlos Manuel capaz de arrancar um milagre e que nos afaste da quase certa relegação da liga europeia do euro.
PS: Por mais voltas que se dê os melhores continuam fora da política. Não é possível criar um regime de requisição civil para que os que dão «tampa» fossem obrigados a acumular cargos públicos em alturas excepcionais?

A «quinta» do Costa e do Zé




As imagens que vêem foram tiradas hoje à hora do almoço em pleno eixo central da Avenida da Liberdade. O Costa e o Zé fizeram a sua própria quinta», com ou sem aspas, depende das leituras, na principal sala de visitas da capital, em mais uma mega união de esforços com o Continente do retalhista Belmiro. Nada a opor que a autarquia tenho os seus interesses comerciais e dinamize uma cidade que muitas vezes parece estar submersa num imenso velório, agora ocupar o centro da Avenida durante vários dias e restringindo a mobilidade de transportes públicos, táxis e até ambulâncias, como eu próprio presenciei esta manhã, é um acto de profunda irresponsabilidade. Como desabafava um comerciante dos Restauradores, «eles que vão lá para a Bela Vista ou para o Parque das Nações, agora aqui é que não!». Ninguém gosta de barafunda ao pé da porta, mas o «Mega Pic-Nic» que o autarca Costa e o vereador Zé estão a promover estes dias é mais um exercício de branqueamento da inexistência que tem sido esta gestão camarária. E que me perdoem os fãs do Tony Carreira, mas um «pic-nic» no Parque de Monsanto é que era...

16 junho, 2011

Charivari judicial

Vai um enorme charivari por causa do copianço generalizado de uns senhores que aspiram a ser futuros magistrados da nação. Num país de cábulas, preguiçosos e pintas, não sei porque razão os juízes teriam de ser, quais ungidos de Deus, diferentes. Apesar do estilo truculento e trapalhão, mais um golo de Marinho e Pinto.

Conselheiro assediado

Na bolsa das apostas é dos mais bem colocados para o cargo dos cargos, ministro das Finanças. Especula-se que Vítor Bento, conselheiro de Estado e presidente do conselho de administração da SIBS (Sociedade Interbancária de Serviços), tenha dado «tampa» a Passos Coelho numa reunião que mantiveram ontem à noite na casa do economista. Reunião tão secreta, que minutos depois já a SIC-Notícias dava conta dela em rodapé. Este servidor que vos escreve estas linhas teve oportunidade de estar in loco lado a lado com Vítor Bento no aeroporto de Bruxelas, por volta das 19 horas de ontem. E posso garantir que não largava o telemóvel. Ou recebia conselhos amigos para o demoveram de aceitar uma pasta que escalda ou procurava o antídoto para evitar que as caixas multibanco sejam o alvo mais apetecíveis dos larápios nacionais.

A barracada

A cerimónia de assinatura do acordo de governo entre PSD e CDS foi uma verdadeira barracada. Escolheram um hotel cheio de charme, mas exíguo, o Vintage, ao lado do Altis, para acolher dezenas e dezenas de jornalistas. O que seria um mero exercício de assinatura de documentos para a posteridade, transformou-se num «circo» de desorganização e numa longa reunião de uma hora à porta fechada. Caricato o episódio dos «biombos» ou das «portas amovíveis», como lhes chamaram os jornalistas enquanto «enchiam chouriços», entre a sala de reunião e da declaração formal. O Luís, o amigo do Sócrates, era mestre na propaganda, mas ao menos organizava eventos sem mácula. A rever e a profissionalizar a máquina.

15 junho, 2011

Alive and kicking


Caros amigos. Estou vivo. Regresso à pátria após 6 dias de ausência. Em breve, partilharei connvosco alguns retalhos da minha deslocação vacacional a terras germânicas. Até ver, parece que sobrevivi à «e-coli». Acabo de saber que ainda não temos governo. Mas tinha umas saudades tremendas da nossa comida, da nossa água e, pasmem-se, da nossa cerveja. Assim que puder, explico melhor..

09 junho, 2011

Seguro, mas pouco...

Ou era agora, ou nunca. À 23ª terceira tentativa (passe o exagero), e depois de muita «caixinha», Seguro lá avançou, seguro que está que se não chegar a secretário-geral do PS desta vez, é melhor dedicar-se ao ensino o resto da vida. Foi uma apresentação de candidatura muito encenada e com direito a claque. O contraponto com Assis, que preferiu apresentar-se só, mas que começa a recolher apoios nas distritais.

08 junho, 2011

São Franciso do Rato

Possui uma cara pouco vendável, muito ao estilo do Plastic Man - temo mesmo que o eleitorado feminino o deteste -, mas sempre gostei do modo de estar de Francisco Assis na política. Admito que não me sai da cabeça o enfardanço de porrada e o caixote do lixo pela cabeça abaixo, em Felgueiras, no ano 2003, protagonizado pelos capangas da madame Fátima. Assis é moderado e tem um discurso conciliador. Hoje é apoiado pelo Costa na corrida à liderança do PS, mas se as coisas começarem a dar para o torto ao governo PSD/CDS o autarca alfacinha deixa o seu escritório do Intendente e toma de assalto o Largo do Rato. Tal como na vida, em política as paixões também são efémeras.