29 abril, 2010

Salvação transcendental

Está na moda insistir no argumento que vivemos acima das nossas possibilidades. É verdade. Os bancos e os governos insistiram muito e o povinho não desperdiçou o ensejo. É evidente que agora ninguém quer ir de cavalo para burro e continua a abusar. O aflitivo é que alguns economistas como Luís Campos e Cunha já atribuem ao campo da fé a salvação do país. Diz o ex-ministro das Finanças ao «Público»: «Está na hora de rezar». Aproveitando a visita do homem de branco, pode ser que o mês de Maio seja bom conselheiro e o que Papa perdoe os desmandos materialistas da nação tuga.

Dar o exemplo

Silva Lopes veio esta noite dizer nos telejornais que é preciso implementar um programa de poupança à força. Acho bem. A começar por ele e pelas suas diversas pensões, mais do que suficientes para comprar uns brinquedos aos netos.

Um filho pouco desejado

«Nasceu ontem às 11.30 da manhã, o novo Bloco Central. O recém-nascido encontra-se bem, na medida do possível, e não adoptou o apelido dos pais - assim, chamar-se-á Bloco Central dos aflitos e não dos interesses», Miguel Coutinho, Diário Económico, 29 Abril 2010

A atracção pelo escândalo

As vendas do semanário «Sol» em Fevereiro mais do que duplicaram com a sequela «Face Oculta» (32 mil em Janeiro, 85 mil em Fevereiro), segundo dados da APCT.

Bento XVI, o progressista

«Papa senta-se em almofada de látex», título de notícia do Correio da Manhã, sobre os detalhes da missa que Sua Santidade vai realizar em Lisboa, 29 de Abril 2010

Muros de lamentações e impropérios

Foi fértil em grafitis o fim-de-semana comemorativo de mais um aniversário da revolução dos cravos. Praça dos Restauradores, Praça da Figueira e Elevador do Lavra foram algumas das zonas brindadas com as indignadas mensagens que o blog Cidadania Lx reporta. No muro da estação superior do elevador do Lavra, o visado com umas palavras muito pouco delicodoces foi o Primeiro-Ministro, José Sócrates. Se fosse há uns meses atrás aposto que os autores destas frases seriam detidos e processados. Agora que o homem anda mais «manso», segundo observação bloquista, talvez passem impunes.

O maquiavélico «Mou»


Ao mesmo tempo que o país se afunda na confiança das agências de rating, José Mourinho está a caminho de tornar-se uma das marcas portuguesas mais confiáveis e admiradas no Mundo. Este predestinado treinador ganha na táctica, na psicologia e na arrogância. Reagiu de forma pouco comum, sprintando para uma das bancadas do Camp Nou, com gestos e gritos desafiantes de comememoração/provocação, como aconteceu hoje no final do jogo com o Barcelona, em que o Inter perdeu por 1-0, mas garantiu o passaporte para a final da Champions de Madrid, em Maio. O Inter conquista o lugar numa final da máxima competição de clubes 38 anos depois. Um feito. Mourinho regressou ao clube onde começou como tradutor de Bobby Robson. Hoje, muitos anos depois, está à beira de mais uma época gloriosa, tornando-se num dos raros treinadores com duas ligas dos campeões conquistadas. Dizer em conferência de imprensa que esta foi «a melhor derrota de toda a carreira», só pode ter sido uma frase estudada, com a marca de «Mou», como o tratam carinhosamente em Itália.

28 abril, 2010

A frase do dia

«Mourinho é um psicólogo de pacotilha», Joan Laporta, presidente do Barcelona, respondendo às declarações do treinador português do Inter que acusou os catalães de estarem obcecados pela final da Champions por se realizar no estádio Santiago Bernabeu, El Mundo, 28 Abril 2010