03 janeiro, 2009

Um engenheiro em Veneza

Sócrates entrou no «difícil ano» para os portugueses na romântica Veneza, tendo ficado alojado num hotel de 5 estrelas, na companhia da namorada e dos filhos, segundo noticia o «Correio da Manhã». Nada contra. Vida privada é vida privada. Recomenda-se, apenas, mais coerência entre as palavras e os actos...políticos. Que os ares da cidade italiana dos canais lhe abram os horizontes para 2009.

Às turras

Este duro combate na província de Guizhou, China, bem que podia representar o estado de tensão na política portuguesa no início de novo ano. Belém e S. Bento de candeias às avessas, já para não falar do PSD que continua em extraordinária ebulição.

Sermão de Santo Medina aos peixes

Medina Carreira voltou à carga no «Jornal das 9» com Mário Crespo. Para além da linguagem habitualmente empregue pelo fiscalista, nomeadamente com o recurso a vocábulos e expressões do género, «tolices», «irresponsabilidades» e «crimes políticos», retive a análise que fez à política de investimentos públicos prevista pelo Governo. Medina Carreira diz que «espera que não haja dinheiro para tentações», ou seja auto-estradas e TGV, justificando que Portugal, que o ex-ministro das Finanças de Soares apelida de «um país de pedintes», arrisca-se, caso os investimentos se concretizem, a ser o 4.º país com a maior linha de comboio de alta velocidade do mundo, quando, neste momento, já tem na área metropolitana de Lisboa a maior concentração de auto-estradas da União Europeia. O homem bem avisa, tememos é que continue a pregar no deserto.

02 janeiro, 2009

Oposição ao bater da meia noite

O programa de fim-de-ano da SIC foi o que se pôde arranjar. Como honestamente disse Ricardo Araújo Pereira, num ano os humoristas passaram do grandioso Pavilhão Atlântico para um «barraco» em Paços d'Arcos. Não foi pelo espaço que o espectáculo foi pior. Os artistas é que andam desinspirados e apenas o fetichismo que têm com o engenheiro Sócrates lhes salva. De resto foram 2h30 de banalidades e sketches de fraco nível. Nem a italiana Sabrina apareceu. O dinheiro em Carnaxide não dá para comprar caviar. Valeu a parte musical e as letras modificadas de canções que fizeram sucesso. Uma delas, «O prometido é devido», de Rui Veloso, virou «o prometido é devido, senhor engenheiro». Mais um grande momento de oposição política, feito em período de férias e não propriamente por quem o devia protagonizar. Para os interessados, a letra vem de seguida e o video também.

Ainda mal estava refeito
do Governo do Santana
Que por ordem do Sampaio
Só durou meia semana
Foi então que apareceste
saltaste para os cabeçalhos
Quando te comprometeste
A criar milhares de trabalhos
Cem mil pareceu-te pouco
E quiseste impressionar
Mas contavas, sobretudo, com os boys que havias de empregar
Findo o prazo, tu não cumpriste
E faltaste ao prometido
Nada foi como previste
E assobias para o ar
Disseste que ias criar 150 mil empregos
O prometido é devido
O prometido é devido
Também deste a garantia
Que fazias um referendo
Sobre o Tratado Europeu
Mas foste-te esquecendo
E a promessa dos impostos
Que não iam subir mais
Os discursos de campanha
Não passam de jogos florais
Depois de obteres a vitória
Subiste o IVA para 21
Se tens problemas de memória
Por que não tomas Cerebrum?
Mais uma vez não cumpriste
Já estou a ser repetitivo
Vou é fazer um arquivo
Com as tuas falsas juras
Sobre promessas futuras
Se cumprires o prometido
Eu saio à rua de vestido
Eu até tiro o vestido
Vê lá como estou convencido
Tu não cumpres o prometido

01 janeiro, 2009

Um «Arrastão» de ousadia

Sempre com muita ousadia, o «Arrastão», fazendo fé no excepcional aumento da atribuição de empreitadas de obras públicas por ajuste directo decidido pelo Governo, aposta que 2009 vai ser o «ano do Coelho» - o Jorge, o da Mota-Engil, o do tabuleiro de xadrez. O «Coelhone», para os mais distraídos. Compreendem?

Música para os ouvidos

O maestro argentino-israelita Daniel Barenboim teve a honra de ser o 14.º a dirigir a prestigiada orquestra filarmónica de Viena no tradicional concerto de ano novo que hoje se realizou no Musikverein, da capital austríaca. Barenboim, um reconhecido activista da paz entre israelitas e palestinianos, incluiu nos seus desejos para 2009 «justiça no Médio Oriente». Num artigo publicado no «El Pais», Barenboim expôs a sua visão para a resolução do conflito:
«Apenas tenho três desejos para o próximo ano. O primeiro é que o Governo israelita perceba, de uma vez por todas, que o conflito do Médio Oriente não pode ser resolvido pela via militar. O segundo é que o Hamas tenha presente que os seus interesses não se impõem com violência. O terceiro é que o mundo reconheça que o conflito não tem paralelo na História. É complexo e delicado: trata-se de um conflito humano entre duas pessoas profundamente convencidas do seu direito a viver no mesmo, minúsculo, pedaço de terra. É por isso, que nenhuma diplomacia ou acção militar pode resolver este conflito». Chapeâux. E siga a música, maestro!

Concerto de Ano Novo - Marcha Radetzky

Fogo na noite de São Silvestre

Está a tornar-se uma espécie de desporto nacional em bairros sub-urbanos de França atear fogo a carros. E o número de «praticantes» aumenta na noite de São Silvestre. Segundo avança o «Le Monde», 1147 veiculos arderam na madrugada do primeiro dia do ano em territorio francês. Uma autêntica dor de cabeça para as seguradoras e um indicador que o fenómeno das banlieues permanece uma «bomba-relógio» que a qualquer momento pode explodir.

Ano novo, discurso velho

É frustrante constatar que no primeiro dia do novo ano está tudo na mesma. A retórica dos políticos não é excepção. A mensagem do Presidente Cavaco Silva, muito aguardada pelos habituais especuladores de serviço (nomeadamente os que lançaram a manchete do «Sol» do último sábado), pariu um rato. À boa maneira de um político profissional, deu «uma no cravo, outra na ferradura», deixou uns recados velados à governação, mas para o Orçamento do Estado nem uma palavra. Dizer que «as ilusões pagam-se caras» é, de facto, uma observação forte, e que assenta como uma luva à propaganda socialista, mas não deixa de ser bastante vago e com destinatário incerto. Em suma, um discurso «muito bem feito», como já se ouviu por parte dos analistas do regime, e que convida, como convém, a múltiplas leituras. Definitivamente, não é com políticos de meias tintas que isto anda para a frente.
PS: Cavaco preferiu fazer a sua intervenção confortavelmente sentado, ao contrário do Primeiro-Ministro,que na mensagem natalícia, se manteve em pé. Até na estética os homens começam a divergir.