22 novembro, 2012

Um relato muito impressionante

O menino que Gaspar não conhece
 
Supermercado do centro comercial das Amoreiras, fim da tarde de terça-feira. Uma jovem mãe, acompanhada do filho com seis anos, está a pagar algumas compras que fez: leite, manteiga, fiambre, detergentes e mais alguns produtos.
Quando chega ao fim, a empregada da caixa revela: são 84 euros. A mãe tem um sobressalto, olha para o dinheiro que traz na mão e diz: vou ter de deixar algumas coisas. Só tenho 70 euros.
Começa a pôr de lado vários produtos e vai perguntando à empregada da caixa se já chega. Não, ainda não. Ainda falta. Mais uma coisa. Outra. Ainda é preciso mais? É. Então este pacote de bolachas também fica.
Aí o menino agarra na manga do casaco da mãe e fala: Mamã, as bolachas não, as bolachas não. São as que eu levo para a escola. A mãe, meio envergonhada até porque a fila por trás dela começava a engrossar, responde: tem de ser, meu filho. E o menino de lágrima no canto do olho a insistir: mamã, as bolachas não. As bolachas não.
O momento embaraçoso é quebrado pela senhora atrás da jovem mãe. Quanto são as bolachas, pergunta à empregada da caixa. Ponha na minha conta. O menino sorriu. Mas foi um sorriso muito envergonhado. A mãe agradeceu ainda mais envergonhada. A pobreza de quem nunca pensou que um dia ia ser pobre enche de vergonha e pudor os que a sofrem.
Tenho a certeza que o ministro Vítor Gaspar não conhece este menino, o que seria obviamente muito improvável. Mas desconfio que o ministro Vítor Gaspar não conhece nenhuns meninos que estejam a passar pela mesma situação. Ou se conhece considera que esse é o preço a pagar pela famoso ajustamento. É isso que é muito preocupante.

Nicolau Santos, Expresso Online, 21 novembro 2012

21 novembro, 2012

Um repto deveras impressionante

O impressionante secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, lançou hoje o repto para que na negociação colectiva com os seus trabalhadores as empresas incluam «um passe social no conjunto de regalias oferecidas, contribuindo desta forma para reduzir a pegada ambiental» e para a consolidação do sector dos transportes. Ideia fantástica e «very impressive» a do governante da maioria. Só duas considerações. Seria interessante saber se as entidades patronais estariam na disposição de pagar passes superiores a 50 ou 60 euros e se o sector dos transportes, em lenta desagregação, dariam a resposta adequada para a procura. Isto sou só eu a perguntar...

O impressionante Mr. Gaspar

 

 

Confesso que sempre associei a Etiópia à fome, às «gazelas» dos seus atletas de 5 e 10 mil metros e às eternas e fratricidas guerras com a Eritreia. Admito que possa ser ignorância minha, mas fiquei estupefacto quando  Abebe Selassie substituiu o dinamarques dos  «Blue eyes» como chefe da missão do FMI em Portugal. Deve ter estudo em Londres ou em Nova Iorque e conseguiu uma posição de destaque numa das mais poderosas organizações mundiais. Perfeito. Nada a opor. Fico mais preocupado quando o africano «estrangeirado» tece loas ao ministro Gaspar. Segundo a tradução do inglês para português, Selassie diz em entrevista ao DN e ao JN que o Mr. Gaspar é «muito impressionante». Resta saber se é «impressive» para eles, FMI, na estratégia de deixar os países periféricos da Europa a pão e água. A coisa está mesmo preta. Tenham muito medo!

O despiste dos porcos

Os porcos tomaram de assalto a Auto-Estrada Porto-Lisboa por umas horas. Não se confirma que tenha sido uma manifestação contra a troika. Foi mesmo um camião de transporte de animais vivos que foi para a valeta.

20 novembro, 2012

A frase do dia

«Para se ter sensibilidade social é preciso conhecer. Não podem [os representantes da 'troika'] chegar a Lisboa de avião, passar horas ou dias em reuniões nos gabinetes e voltar para as suas capitais sem conhecer o país para o qual se desenham e se exigem determinadas políticas», Pedro Santana Lopes, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Correio da Manhã Online, 20 Novembro 2012

Carneiro Jacinto, um mistério em Carnaxide

Carneiro Jacinto foi um bom jornalista de política na SIC (canal que ajudou a fundar) e na TSF, até que voou para Washington como assessor de imprensa da embaixada portuguesa. Depois de uma abortada candidatura à Câmara de Silves, regressou à televisão 16 anos depois para apresentar «Bola Centro» (sábados às 23 horas na SIC-Notícias) um programa híbrido que é, à primeira vista de desporto, mas acaba por ser de tudo ao mesmo tempo. Ao longo dos 50 minutos de programa, Carneiro Jacinto falou em excesso, recordou «ad nauseum» os anos que esteve fora do país e até protagonizou um momento digno de «Cenas de um casamento» com Guilherme Leite, quando visitou a sede do maior construtor mundial de Kayaks, em Vila do Conde. Depois de saltar um alinhamento no teleponto, despediu-se e pediu desculpa aos colegas da régie - imaginamos que desesperados -  e aos telespectadores. Uma coisa são estilos, outra é falta de jeito. Por acaso a SIC deve alguma coisa a Carneiro Jacinto? 

A insustentável leveza de um burlão

Diz a lenda que Vale e Azevedo começou a burlar os outros desde que começou a andar. Outros, ainda mais corrosivos, dizem que foi quando começou dizer «papá» e «mamã». Certo é que de há muito tempo que as suas falcatruas deixam rasto por onde passa. Dizem também as gazetas que a sua popularidade na prisão continua intacta. Todos querem estar perto do ex-presidente do Benfica. Hoje voltou a tribunal, para mais um processo que tem pendente. O ar reverencial e de simpatia dos agentes que o escoltaram até à sala de audiência é prova que este homem cai no goto de qualquer um. Convém é ver se ainda têm a carteira no bolso...

Simplesmente Marcelo

Aqui está, fresquinha, a capa do livro do Vítor Matos, que deverá estar nas livrarias muito em breve, com a chancela da Esfera dos Livros.
Promete ser um dos mais vendidos da quadra natalícia, se a troika deixar.
Ainda não li o conteúdo, mas digam-me lá se o professor não está com pose presidencial?