26 setembro, 2011

O sexo da águia

O sexólogo Júlio Machado Vaz substitui o cineasta Tó Pedro Vasconcelos, entretido com a privatização do canal do Estado, como o ponta-de-lança encarnado no trio de ataque da renovada RTP-Informação. Machado Vaz até confessa que «não é benfiquista doente», mas vai fazer tudo para defender as cores encarnados a partir de 4 de Outubro, em confronto directo com Rui Oliveira e Costa, pelos lagartos, e Miguel Guedes, pelos dragões. Aposto que muitos benfiquistas a norte, putativos substitutos de Vasconcelos, devem ter ficado com uma valente azia. Tomem um «Alka Seltzer» que isso passa.

Perseguição de burro atrelado

É uma daquelas brincadeiras internauticas que circula de e-mail em e-mail, mas da forma agreste como os mandamentos da troika estão a tomar conta dos nossos destinos, não seria de admirar que um dia destes a polícia andasse a perseguir ladrões montada num burro atrelado.

Português excelentíssimo

Sobrinho Simões é um daqueles portugueses excelentíssimos que a esmagadora maioria dos seus compatriotas desconhece que existe. Alia uma simpatia natural, a uma dedicação inexcedível à investigação do cancro, onde se afirma como um dos mais consagrados especialistas do mundo em matéria oncológica. Como ele diz a Judite de Sousa, «só sei trabalhar» e nem quer pensar no dia em que se reformar. O conselho que ele transmite no fim da entrevista devia ser passado em todas as escolas: «quem se habituar a comer pouco durante a vida, vai certamente viver muitos anos». Fala quem sabe.

Mix jornalístico

Fonte que bebe do fino diz-nos que «Quinzinho» Oliveirinha e a famelga estão radiantes. O «Jornal de Notícias» estancou a quebra de vendas com a alteração de estratégia editorial para um mix entre a «Maria», a «Caras» e o «Crime». A capa de hoje é de rebimba: orgias, sexo e jet-set, facadas entre um casal e um recém-nascido morto por asfixia.Viva o jornalismo sério e credível!

25 setembro, 2011

Um Rio translúcido

D. José Policarpo devia ter mais cuidado quando fala. Ainda para mais são raras as entrevistas que concede. Hoje ao «JN» disse que nenhum político saí da política com as mãos limpas. Até podia pensar isso, mas as suas responsabilidades impunham algum recato na observação típica atribuída ao «Zé povo». Eu até sou dos que acha que existem políticos que são «bacteriologicamente» puros.
Na sexta-feira ouvi Rui Rio numa conferência na cidade do Porto. É um político que admiro, apesar de não residir na cidade «invicta», mas desde 2001 que lançou como desafio pôr ordem numa casa que outros desarrumaram. E bastante. Não sei se Rio terá possibilidade de chegar a S. Bento. A vida política tem ciclos e como diria Guterres há comboios que só passam uma vez na estação das nossas vidas. Outros, são como o Pendular, nem chegam a parar. Na dita conferência, Rio criticou o facto de terem querido «apoucá-lo» ao apelidá-lo com a observação, «há um contabilista a liderar a Câmara do Porto». Sem papas na língua, Rui Rio, há 3 mandatos ao leme da autarquia, disse: «Sou contabilista e com muito orgulho. Têm de engolir o que disseram, até porque não sei ser de outra maneira». E demonstrou-o com factos: «A Câmara tem as finanças equilibradas, um passivo menor do que tinha, paga o que deve quase sempre a 30 dias e ainda sobra para investir em qualquer coisa. Enquanto isso, os sábios rasgaram o futuro de todos nós». Sem se deter, Rio não escondeu a sua perplexidade com certas situações que se vão sucedendo: «Pode uma empresa acumular lucros e ficar à beira da falência? Pode um banco acumular lucros fabulosos e acabar de mão estendida ao Estado?» A resposta é a que todas sabem: em Portugal, sim.

Em português nos desentendemos

Não pensei que tal fosse possível, mas efectivamente existe um português que consegue falar tão bem ou melhor inglês que Jorge Sampaio. Chama-se Vítor Gaspar, «gasparzinho» para amigos e inimigos, e ouvi-o ontem no encontro do FMI e do Banco Mundial nos «states» a expressar-se de forma fluente e sem mácula. O pior são mesmo as contradições na Língua de Camões. O titular da pasta das finanças avisa que o pior ainda está para vir, quando, se bem me lembro, o líder do governo anunciara na Universidade de Verão do PSD, há poucas semanas, que lá para o final de 2012, o pior já teria passado e começaria o ciclo de recuperação. Será tudo uma questão de (mau) português?

Coincidências em rede

Judite, a entrevistadeira do regime, será a anfitriã da primeira entrevista do segundo mandato de Cavaco Silva, quarta-feira, na TVI. Curioso, Cavaco vai falar de viva voz aos portugueses, abandonando o seu cantinho virtual no Facebook, e a jornalista anuncia a entrevista, em primeira mão, na sua página no «bar do Zuckerbeg». Muito bom!

Dizem que é uma espécie de inquisição

A inquisitorial ERC anda de volta do arquitecto Saraiva, excelentíssimo director do semanário «Sol». Depois de lhe ter movido um processo por causa do artigo de opinião sobre os gays, a instituição liderada por Azeredo Lopes, o presidente que já expirou o seu mandato, mas que ainda por lá anda, voltou a abrir um processo de averiguações ao mesmo jornal por ter publicado uma foto de Rosalinda Ribeiro, no tal caso que envolve Duarte Lima, sem vida. A foto, apesar de mostrar a morte de uma pessoa, não é especialmente violenta, nem o corpo apresenta, pelo menos de forma visível, sangue ou outro tipo de marcas. No fundo, é um documento jornalístico. Já tenho apreciado noutros jornais, como o CM ou o JN, fotografias onde se vêem corpos esfacelados no meio da estrada e animais às postas, já para não falar das exaustivas descrições de velórios e funerais. Nesses casos, o «Torquemada» da Av.24 de Julho assobia para o ar, como se nada fosse.