01 agosto, 2011

País real

Dou uma volta pelas notícias e a revolta da malta, por causa do aumento dos passes, traduz-se no seguinte: 40 pessoas manifestaram-se à porta do Ministério da Economia, meia dúzia de inconformados cortaram temporariamente a linha da Azambuja e uns tímidos buzinões marcaram a reintrodução das portagens na Ponte 25 de Abril, no mês de Agosto. A panela está a encher, mas muito devagarinho. Faltam políticos com carisma e, já agora, também faltam líderes de movimentos contestatários. Onde andam os fabulosos irmãos Pinto que orquestraram a que ficou conhecida como a revolta da «Maria da Ponte»? Ao que parece na cadeia a contas com a justiça por contrabando e tráfico de drogas, coisas de somenos, mas se preciso for o povo vai buscá-los ao «xadrez» para reeditar o movimento de 1994.

País surreal

Como li hoje, algures, o concerto de Bon Jovi foi um Rock in Rio, versão reduzida e sem centro comercial montado. Descrição perfeita. 56 mil alminhas foram à Bela Vista, muitas delas para ficar a 400 metros do palco, espalhadas pelo desconcertante planalto, mas pelo menos já têm tema de discussão com os colegas de trabalho na segunda-feira. Os bilhetes voaram todos. Uns a 55 brasas, para a malta carenciada, outros a 85, para os burgueses e outros, para o chamado «diamond ring», que custavam a módica quantia de 285 euritos, obviamente para capitalistas, yuppies de sucesso ou assaltantes de multibanco com recurso a retroescavadoras. Até dá náuseas só de escrever.

Cuidado, Alvarito!

O Alvarito foi obrigado pelo Relvas a dar a cara no telejornal das 8, num dia de dupla raiva para a malta carenciada que ficou a trabalhar, com os passes inflacionados e a levar chuva na moleirinha. Mostrou gráficos ao melhor estilo de Medina Carreira, falou em «esforços repartilhados» (sic), suou um bocado da testa e decretou, a rematar, «less jobs for the boys», mais outra para o vasto léxico do «politiquês». Um verdadeiro cordeirinho que um dia destes, se não for encerrado numa redoma, vai ao sacrifício com uma grande pinta. Assinale-se a agressividade do moderador Carlos Daniel na condução da entrevista. Cheira-me que não vai escapar a uma queixinha telefónica por parte do Relvas. Onde é que está o respeitinho pelo partido do poder, hum?

Serviço de urgência de Caracas

Com Hugo Chavez é tudo diferente, até na doença. Tem sido o próprio que se tem substituído aos médicos na divulgação dos passos que está a seguir no combate à enfermidade de que padece. Ontem afirmou que ia aparecer calvo, fruto dos tratamentos de quimioterapia. Dito e feito. Uma verdadeira presidência aberta.

Tarde de chuva é península inteira a chorar

Tarde de chuva é Península inteira a chorar, lá diziam o GNR. E se for em Agosto, pior ainda. Os dois grandes temas do dia são o aumento dos transportes e o dia de chuva que se abateu no primeiro dia do mês estival por excelência. Ninguém fala que é bom para os incêndios e óptimo para poupar água a autarquias badalhocas com a da capital. Estavam tão encardidas, que a água surge misturada com uma espécie de espuma. Se São Pedro fosse autarca eu votava nele para substituir o vereador Sá Fernandes.

31 julho, 2011

Banco Português de Negociatas (BPN)

Portugal é uma verdadeira porta-giratória para «patos bravos». Os angolanos estão a entrar em toda a força como cão por vinha vindimada. O BPN custou 2,4 mil milhões de euros ao Estado. O BIC do camarada Mira Amaral pagará a pechincha de 40 milhões de euros pelo banco. Palavra do ministério das Finanças. O «Zé Povo» paga a diferença e não bufa. O costume.

A frase do dia

«Não falo de pessoas que não conheço», Alberto João Jardim, na festa do Chão da Lagoa, JN Online, 31 Julho 2011, questionado pelos jornalistas sobre como reagia às declarações da véspera de Paulo Portas sobre o endividamento da Região Autónoma da Madeira.

O rugido do leão

Desastrosa apresentação do Sporting em Alvalade, com a derrota copiosa por 3-0 diante do Valência.De realçar, a entrada de um leão de carne e osso, dentro uma jaula e puxado por um tractor, que «desfilou» no relvado antes do início da partida. O presidente leonino está a tentar puxar pelo sonho dos adeptos e o animal pedido emprestado ao circo Cardinalli é o exemplo acabado. Só falta mesmo é baptizar o bicho. Este ao contrário da águia da Luz, só ruge, não voa.